Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Mariana, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

A Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, instituída em Mariana desde 1751, reuniu‐se inicialmente na Capela de São Gonçalo (arraial de Mata Cavalos), até que obteve autorização para erguer o seu próprio templo. O terreno escolhido foi a nova praça da cidade, onde estava prevista a construção da Casa de Câmara. Isto gerou protestos da ordem rival, de São Francisco de Assis, que já havia escolhido o local para erguer a sua igreja. Apesar disso, os irmãos do Carmo persistiram no seu projeto, e em 1760 foi concluída uma capela provisória, com a invocação do Menino Deus, em taipa (depois conhecida como "Carminho Velho", e demolida em 1930). A construção do templo definitivo, no terreno ao lado, teve início em 1784. Neste ano, a obra de pedra e cal foi confiada ao mestre pedreiro Domingos Moreira de Oliveira, natural do bispado do Porto, que também atuou nas igrejas de São Francisco e de Santa Efigénia de Ouro Preto. Após sua morte, em 1794, vários outros pedreiros o sucederam até à conclusão das obras, em 1835, quando foram instalados os relógios das torres. Em termos da evolução do estilo arquitetónico, este templo pertence à série da Igreja de São Francisco e do Carmo de São João del‐Rei, sendo, nas palavras de G. Bazin, um dos últimos "belos monumentos do rococó" que foram edificados em Minas. A planta é retangular, com nave única e capela‐mor separada pelo arco‐cruzeiro, e os apêndices laterais do consistório e da sacristia. O principal interesse está na fachada, que constitui, segundo Myriam A. R. de Oliveira, "uma curiosa reinterpretação de temas recém-introduzidos na região": as torres redondas, com sineiras e cimalha de pedra, foram projetadas para trás do frontão, como em São Francisco de Ouro Preto, mas sem o "movimento rotativo" característico desta última. A cobertura do corpo da igreja só se realizou em 1800, mas em 1793 já se fazia o telhado da capela‐mor e trabalhava‐se no frontispício, tendo sido contratados José Meireles Pinto, para execução da talha da porta principal, e Sebastião Gonçalves Soares, para a execução de dois anjos em pedra‐sabão que ladeiam a tarja sobre a portada. Internamente, a capela‐mor possui forro em abóbada de aresta, decorada na chave com grande rosácea esculpida. O risco do retábulo‐mor foi feito pelo padre Félix António Lisboa, meio‐irmão de Aleijadinho, e a talha executada no período 1797‐1819; o douramento é de época posterior (1826), realizado por Francisco Xavier Carneiro. Era também de sua autoria a bela pintura rococó do teto da nave - com tarja central representando a Virgem do Carmo entre rocalhas e guirlandas de flores - que foi lamentavelmente destruída por um incêndio em 1999, quando a igreja passava por importantes obras de restauro.

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