Casa Capitular (Museu Arquidiocesano de Arte Sacra)

Casa Capitular (Museu Arquidiocesano de Arte Sacra)

Mariana, Minas Gerais, Brasil

Equipamentos e infraestruturas

Este edifício é muitas vezes indevidamente chamado "Aljube", que significa "prisão de padres", equívoco que se originou num requerimento enviado a D. João V pelo primeiro bispo de Mariana, pedindo autorização para se construir uma prisão eclesiástica na nova diocese de Minas - projeto que jamais se concretizou. A Casa Capitular foi erguida por iniciativa dos Cónegos da Sé, desejosos de dispor de uma sede condigna para as reuniões do cabido. Em 1765, o capítulo solicitou a Lisboa autorização e subsídios para a construção do edifício. Quatro anos depois, a administração régia concedeu a licença, mas esquivou‐se deste e de todos os pedidos subsequentes de ajuda financeira. Em 1770, foi ajustada a obra com mestre José Pereira Arouca, a partir de um risco de autor desconhecido. De acordo com o auto de arrematação, o prazo para a entrega das chaves era de dezoito meses, a contar da data do contrato. Não se conhece a data da conclusão do edifício; sabe‐se, porém, que em 1793 as obras não haviam ainda sido terminadas, ano em que o cabido moveu um processo contra o construtor. Em 1926, a propriedade do edifício foi transferida à Mitra Arquidiocesana, que ali instalou a Cúria Metropolitana e o seu arquivo. Décadas mais tarde, após a realização de obras de adaptação, passou a abrigar o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, inaugurado a 22 de novembro de 1962. Segundo o historiador da arte G. Bazin, trata‐se de "um dos mais elegantes edifícios rococó do Brasil". Construído em alvenaria, ele se destaca pelo apuro construtivo e pela excepcional elegância dos detalhes arquitetónicos e decorativos. Na parte superior da simétrica fachada, acima da porta‐sacada central, encontra-se uma tarja ricamente ornada com voluta; os cunhais são coroados por magníficos capitéis de ordem compósita, e os vãos têm belas molduras. O acervo do museu reúne as peças mais significativas, que se encontravam dispersas em diversos locais e igrejas da cidade. Uma delas é a Fonte da Samaritana, trabalho excepcional de escultura em baixo‐relevo que fazia parte de uma fonte existente no jardim do antigo Palácio Episcopal. A peça representa o episódio do Cristo e da Samaritana; a cena é enquadrada por uma moldura rococó. Por analogia estilística, a obra é atribuída a António Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Loading…