Correios

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Panaji [Panagi/Pangim/Panjim/Nova Goa], Goa, Índia

Equipamentos e infraestruturas

Os Correios e Telégrafo possuíam dois edifícios em Pangim, que se encontram localizados no mesmo espaço urbano, o antigo Largo do Estanco ou de São Tomé. Ali estavam desde os meados do século XIX: um situado a sul, no espaço da antiga Casa do Estanco, onde ainda hoje permanecem os Serviços dos Correios, e outro a norte. A construção que hoje podemos observar no lado sul foi edificada no local da antiga Casa do Estanco, que já tinha sido ocupada pelo Quartel da Polícia Especial de Goa, o qual ainda aí se encontrava em 1888. No final do ano seguinte o imóvel foi demolido e as suas pedras vendidas em hasta pública, processo habitual quando se considerava que os materiais que resultavam do desmancho de edifícios não eram passíveis de ser aproveitados em outras obras do Estado. A construção do novo edifício decorreu durante o ano de 1893 e, em outubro desse ano, os Serviços dos Correios mudaram‐se definitivamente para as novas instalações. A implantação do edifício não difere muito da do seu antecessor: a volumetria é simples, de um só piso. Organiza‐se simetricamente em relação à entrada, que era marcada por uma galilé e hoje, devido a alterações entretanto feitas, apresenta algumas semelhanças com os alpendres utilizados na arquitetura doméstica. Esta alteração deve ter sido realizada após 1961. Os espaços interiores dividem‐se em grandes salas que se abrem diretamente para o exterior. Em 1908 foi feito um projeto de alterações do edifício que previa a abertura de cinco janelas, mas não se confirma que tenha sido executado. Fotografias de 1914 mostram que o interior sofreu poucas mudanças até aos nossos dias. Em junho desse ano deu‐se como concluída, a norte do Largo, a nova sede da então designada Repartição Superior dos Correios, incluindo o Telégrafo e os Telefones. Porém, as obras e a instalação dos respectivos serviços devem ter‐se arrastado, pois passados três anos ainda se referia a mudança do Telégrafo para este edifício. Implantado no local onde antes existira o Bazar de Peixe, paralelamente ao edifício dos correios já existente no lado sul, possui uma volumetria retangular simples, sendo simétrico relativamente à entrada. Apresenta dois andares, tendo no primeiro piso janelas de sacada, com duas janelas gémeas na zona da entrada. A fachada principal encontra‐se voltada a sul para o outro edifício dos correios, virando costas à Avenida Marginal. Em 1928‐1929 a construção sofreu reparações que não terão introduzido alterações, apesar de terem sido mais profundas do que as rotineiras obras de inverno feitas a seguir à monção. Com a construção do segundo edifício tentou‐se regularizar a malha urbana, buscando talvez a memó‐ ria do antigo Largo do Estanco e as relações que se estabeleciam entre o Bazar e a Casa do Estanco. O desenho e a ocupação deste espaço fazem com que hoje seja simplesmente um local de passagem e não permitem que as relações entre os edifícios e o espaço urbano sejam compreensíveis.

Alice Santiago Faria

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