Palácio do Governo

Palácio do Governo

Panaji [Panagi/Pangim/Panjim/Nova Goa], Goa, Índia

Equipamentos e infraestruturas

Em 1510, António de Noronha conquistou a fortaleza de Adil Khan, que terá sido incendiada e refeita pouco tempo depois. Foi nesse local, ou sobre as suas fundações, que se construiu o Palácio do Governo-Geral do Estado da Índia, para ser utilizado como quartel militar e residência temporária dos vice-reis. Durante o governo do vice-rei Jerónimo de Azevedo (1612-1617), o palácio sofreu obras profundas. Foi, porém, o vice-rei Manuel de Saldanha e Albuquerque, conde da Ega (1758-1765), o primeiro a transformar o edifício em sede do governo e a fixar aqui a sua residência oficial, em dezembro de 1759, função que o palácio manteve até 1918. Terão sido estas obras a dar origem ao edifício que hoje conhecemos. No entanto, as inúmeras reformas que o palácio recebeu fazem com que seja difícil ter certezas de como seria à data da construção. Em 1827, Denis de Kloguen descreveu o edifício como tendo uma aparência exterior pobre, mas com divisões interiores amplas e de boa qualidade. Referia ainda que, para além da residência e sede do governo, funcionavam aqui diversos serviços públicos. Esta situação manteve‐se ao longo dos anos, tendo sido sede da Imprensa Nacional, dos Tribunais e Cartórios, da Procuradoria, da Conservatória e de uma escola primária, entre outros. As imagens conhecidas mostram como terá sido o palácio na segunda metade do século XIX. O edifício tinha uma forma aproximadamente retangular, onde as divisões se organizavam ora em torno dos seus dois pátios interiores, ora virando‐se para o exterior. No rés‐do‐chão, onde funcionava a maioria dos serviços, as divisões eram mais pequenas. No segundo piso funcionavam a casa oficial do vice‐rei/ governador e as divisões mais representativas, como a Sala de Dossel, onde decorriam as cerimónias oficiais. A norte, o palácio abria‐se para o rio. A fachada era dividida em cinco tramos, dois dos quais com varandas, às quais se tinha acesso através das salas mais importantes. No rés‐do‐chão havia uma entrada, a que se acedia através do rio. Era por isso através do lado sul que, na maioria dos casos, se fazia a entrada no edifício, onde após uma pequena zona de átrio, se chegava ao pátio principal, por onde se tinha acesso ao piso superior. A fachada sul era marcada por uma sequência de janelas, que no piso superior eram de sacada. A capela que existia no lado poente era assinalada na fachada através de um frontão encimado por uma pequena cruz e foi encerrada no início da Primeira República. Podem ainda observar‐se dois possíveis acrescentos: um volume do lado norte/poente, que faz com que a fachada norte não seja simétrica, e outro do lado sul/nascente. Ao longo da segunda metade do século XIX, o palácio era constantemente referido como encontrando‐se em péssimo estado de conservação, para o que contribuía a proximidade do rio. Isto apesar das muitas obras realizadas, particularmente aquando da mudança das repartições que passaram pelos espaços do edifício, para além das usuais reparações anuais, feitas antes e depois da monção. De entre todas, as mais profundas foram realizadas principalmente durante o ano de 1887, no decorrer do governo de Augusto Cardoso Carvalho (1886‐1889), sendo que no início de 1889 continuavam os melhoramentos. Entre as obras executadas estavam a substituição da madeira dos vigamentos, a demolição de paredes divisórias interiores, a substituição de portas, janelas e grades de ferro, e a transformação do telhado, feita no decorrer de 1889. A alteração do telhado, juntamente com a construção da varanda do lado norte, no ano económico de 1901‐1902 (embora já haja referência à construção de uma galeria no lado norte do edifício no ano económico de 1882‐1883), modificou definitivamente a imagem do Palácio. As obras e as alterações ao edifício continuaram, no entanto, a ser mais pontuais. Em 1918, a residência oficial dos governadores transferiu‐se para o Palácio do Cabo. Após 1961 as obras prosseguiram, tendo sido feito, na década de 1970, o acrescento de uma nova ala no lado nascente, com uma linguagem semelhante à do edifício antigo. Em 2004, a sede do governo de Goa mudou para novas instalações e, desde 2008, decorre nova campanha de obras. Apesar de todas as transformações, o Palácio do Governo, quer pela sua carga histórica e simbólica, quer pela sua presença e importância na cidade, mantém‐se um dos mais interessantes edifícios de Pangim.

Alice Santiago Faria

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