Igreja de São Lourenço

Igreja de São Lourenço

Macau, Macau, China

Arquitetura religiosa

A Igreja de São Lourenço de Macau foi construída por iniciativa dos padres da Companhia de Jesus logo após a sua instalação no território. Em 1576 já estava em funcionamento como sede de uma paróquia. Era então uma construção modesta, com paredes de madeira ou taipa. Foi reconstruída pela primeira vez em 1618. Porém, nos séculos seguintes beneficiou de muito mais obras: uma lápide encontrada em 1844, escrita em latim, menciona uma reconstrução ocorrida em 1768, patrocinada pelo Senado de Macau.
Sabemos através de diversa documentação que houve mais trabalhos importantes, talvez mesmo na estrutura, entre 1801 e 1803, no tempo do bispo Marcelino José da Silva. A igreja voltou a ser parcialmente reconstruída, devido a estragos causados por tufões, em 1844, com projeto do arquiteto Tomás de Aquino. Em 1897, sob a direção do engenheiro António César de Abreu Nunes, teve outra vez obras de restauro, que se repetiram com empreitadas sucessivas, em 1937 e em 1954. Há que ter em conta a inscrição de duas datas, 1627 e 1811, apostas no cruzeiro do lado da Rua Central, que correspondem seguramente à construção da cruz e ao seu restauro ou deslocalização.
Através de alguns desenhos anteriores às obras projetadas por Tomás de Aquino podemos perceber como era antes. Na verdade, o coroamento das torres era distinto, com fogaréus em forma de urnas no enfiamento das pilastras, e uma moldura barroca de forte impacto visual a debruar as grandes janelas. Hoje só há uma modesta platibanda, pilastras mais espalmadas e sem os capitéis e impostas superiores, tendo desaparecido a janela da torre esquerda, substituída por um relógio, enquanto a do lado contrário foi diminuída, tornando‐se apenas numa estreita ventana de campanário, com uma moldura tímida de estuque branco, de gosto tardo‐rococó, se é que pode ter alguma classificação estilística.
Em toda a frontaria deu‐se o esbatimento das pilastras e dos entablamentos, substituíram‐se os frontões triangulares clássicos de todas as janelas do primeiro andar e foi profundamente alterado o frontão triangular que ostentava as armas reais. No século XIX foi criada uma varanda entre as duas torres, recuando‐se, para isso, um novo e desarmonioso frontão.
A igreja possui galerias laterais cobertas por onde se acede ao interior. Este tem uma nave larga com cobertura corrida de madeira com lunetas laterais para permitir a iluminação, conseguida com a ajuda das outras janelas rasgadas nos flancos e na fachada. A dois terços do comprimento, do lado da capela‐mor, abrem‐se frente a frente duas capelas fundas, que excedem sensivelmente a linha exterior dos muros. A cabeceira é formada por uma capela única, com cororeto e hemiciclo, vincada por pilastras caneladas com capitéis da ordem coríntia.
O gosto eclético oitocentista conferiu a esta igreja um forte colorido, contrastando o amarelo dos fundos das paredes com o branco dos elementos decorativos e com uma cobertura azul forte, avivada pelas linhas de força douradas e vermelhas.

Pedro Dias

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