Igreja de São Domingos

Igreja de São Domingos

Macau, Macau, China

Arquitetura religiosa

O Convento de São Domingos foi fundado em 1587, quando chegaram a Macau alguns religiosos idos das Filipinas. Porém, logo no ano seguinte, o vice‐rei Duarte de Meneses entregou‐o à congregação portuguesa. Temos o testemunho coevo de Frei Lucas de Santa Catarina, que descreveu a igreja privativa: "per‐ feita, e acabada, o título da Senhora do Rosário; Igreja de três naves, tecto, e colunas douradas; claustros, e dormitórios grandes e desafogados". Ainda assim, esta igreja era de madeira e sucederam‐lhe pelo menos duas outras, a última das quais a atual, erguida ou profundamente remodelada em 1721.
Conhecem‐se desenhos da primeira metade de Oitocentos, cem anos posteriores à construção inicial (sendo os de George Chinnery os de maior riqueza documental), onde ainda se pode ver a zona conventual antes das grandes adulterações e posterior destruição. A frontaria não era então muito diferente da que hoje podemos ver, mas ainda não tinha toda a ornamentação em estuque branco sobre os lintéis de portas e janelas e nos intercolúnios, que restauros e acrescentos mais chegados a nós lhe incluíram. Temos ainda hoje a fachada original, reportando‐nos à grande empreitada que a conformou no essencial definitivamente, quer quanto à espacialidade interna, quer quanto ao fácies externo.
A Igreja de São Domingos é de gosto barroco, mas muito contido, na tradição portuguesa. A frontaria possui três andares marcados por entablamentos corridos, com três ordens de colunas sobrepostas, todas coríntias, que se organizam aos pares, com fustes lisos sobre pedestais. A empena tem terminação triangular com um frontão abatido, e esse corpo é dominado por um ́culo imenso, oblongo. Os espaços assim criados foram cheios com composições de estuque, feitas já no século XIX.
O corpo da igreja dominicana macaense tem três naves com seis tramos, e a capela‐mor possui planta retangular e muito alongada. As arcarias divisórias das naves são semicirculares, assentes em longos pilares de secção quadrangular. Os pilares são valorizados por estuques em branco e amarelo, obra mais recente, e os capitéis e impostas não seguem qualquer ordem canónica, sendo totalmente fantasiados, o que deixa perceber uma concepção e execução por artistas locais, afastada dos modelos ocidentais, tão bem expressos no espaço e na frontaria. A cobertura é toda de madeira.
Os altares estão hoje em dia muito diferentes daquilo que eram primitivamente, dadas as obras sucessivas de restauro, quando não foram mesmo refeitos integralmente, embora sempre ao gosto do barroco, mas sem relação com o que então se fazia em Portugal ou em Goa.
Do lado direito de quem entra fica uma galeria aberta, muito habitual nas igrejas portuguesas do Oriente, que comunica no extremo com um espaço de distribuição, de onde se acede aos andares superiores através de uma escada de madeira e também à sacristia, cuja porta fica logo em frente. Para a direita da frontaria estendeu‐se o corpo das dependências conventuais.

Pedro Dias

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