Fortificação

Fortificação

Galle [Gale], Província do Sul, Sri Lanka

Arquitetura militar

Galle, cidade portuária do extremo sul do Sri Lanka, possui um núcleo antigo fortificado cujas estruturas remontam, em parte, ao período português. Frequentada pelos portugueses desde inícios do século XVI, Galle acolheu uma primeira fortaleza portuguesa em 1597, destinada a apoiar o estabelecimento do domínio português no sudoeste de Ceilão após a derrocada do reino de Sitawaka. Este primeiro edifício, de que hoje nada subsiste, estaria situado num lugar elevado da península de Galle, tendo sido construído em terra compactada e madeira. Concebido essencialmente para enfrentar forças locais, não servia para controlar eficazmente o surgidouro na Baía de Galle, do lado oriental da península. Por isso se tornou rapidamente obsoleto e, nas duas primeiras décadas do século XVII, saíram do reino repetidas ordens para a construção de fortificações mais sólidas. Em 1619, o capitão‐geral de Ceilão, Constantino de Sá de Noronha, fez demolir as estruturas iniciais para mandar construir outras de raiz. Estas englobaram toda a Península de Galle, que ainda hoje acolhe o centro histórico colonial da cidade. As novas estruturas portuguesas compunham‐se de um baluarte na ponta sul da península, controlando a entrada da baía; um forte erguido diretamente sobre o porto, na face oriental da península, numa pequena língua de terra virada para nordeste; uma muralha de mar a mar separando a península inteira da terra firme, na parte setentrional. A restante circunferência de Galle ficava protegida graças ao litoral rochoso e, nas partes mais baixas e acessíveis desde o mar, por estruturas feitas de terra compactada e de madeira. Os trabalhos efetuaram‐se numa primeira fase até 1623, sob o comando do capitão Fernão Pinhão, durante a capitania‐geral de Jorge de Albuquerque. A obra ficou incompleta e foi retomada em 1627, nomeadamente no tocante à muralha de mar a mar, reforçada então com três baluartes: dois à beira da água e um na parte central, correspondendo talvez à posição dos três baluartes holandeses hoje existentes, embora a estrutura portuguesa apareça mais torcida num desenho de 1638. O plano para a escavação de um fosso fronteiro a esta muralha foi abandonado por falta de fundos. A documentação da década de 1630 revela continuados problemas com todas as estruturas defensivas de Galle. Após a captura pelos holandeses em 1640, Galle serviu de capital aos holandeses em Ceilão até à tomada de Columbo, em 1656. Durante estes anos, reforçaram‐se as estruturas defensivas portuguesas, sendo o traçado da principal muralha de mar a mar mantido aproximadamente inalterado. As estruturas portuguesas acabariam por ser quase totalmente inte‐ gradas em fortificações maiores durante as obras de beneficiação e modernização da primeira metade do século XVIII, ficando assim em boa parte invisíveis. Permanecem no entanto visíveis alguns restos na zona chamada Black Fort, onde se situava o acima mencionado forte erguido frente ao porto, numa pequena língua de terra do lado nordeste da vila, em pedra e cal - o "sítio da fortaleza" no Códice de Saragoça, de 1638. Para além das estruturas militares, é ainda de referir a plausível origem portuguesa de um ou dois arruamentos principais no sentido norte‐sul, e de pelo menos alguma da arquitetura civil mais antiga de Galle, nomeadamente no tocante às casas coloniais, geralmente atribuídas ao período holandês. Independentemente do momento da sua edificação, que no geral se desconhece, estas casas poderão indiciar a existência local de um tipo de casa com varanda colunada de possível raiz portuguesa.

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