Forte de São Jerónimo

Forte de São Jerónimo

Daman [Damão/Damaun], Guzerate, Índia

Arquitetura militar

Localizado na margem norte do Rio Damanganga, defronte das muralhas da praça de Damão, o Forte de São Jerónimo constitui uma obra de arquitetura militar exemplar, apresentando‑se em bom estado de preservação. A iniciativa de construir uma fortificação em Damão Pequeno parece estar relacionada com a invasão do exército mogol em 1611, em retaliação pelo aprisionamento em Surate de um navio de Meca por Luís de Brito e Mello. Apesar de a praça de Damão ter resistido, o território envolvente foi assolado pelas forças invasoras. A povoação de Damão Pequeno tinha crescido em importância e começava a concentrar o grosso do comércio e da população da foz do Damanganga. Um dos propulsores da obra de São Jerónimo foi o reitor do colégio jesuíta de Damão, António Albertino, sendo os jesuítas administradores das obras de fortificação em Damão e vários outros locais da Província do Norte. Contudo, o projeto do forte é atribuível a Júlio Simão, engenheiro‑mor do Estado da Índia. Iniciado em 1615, no vice‑reinado de Jerónimo de Azevedo, a maior parte das obras estava concluída em1627. A fortificação apresenta um desenho erudito de acordo com a então mais atualizada tratadística. A estrutura foi concebida como uma espécie de hornaveque autónomo da praça de Damão, com os seus três baluartes voltados para norte, nordeste e este, ou seja, apontados a terra e não à cidade, flancos nos quais a muralha é fraca e estreita. Com tudo isso não só se evitava a sua utilização contra a cidade, como seria fácil a sua inutilização em caso de ser tomado pelo inimigo. Os três baluartes, com um recorte triangular pronunciado, detinham elementos que lhes permitiam funcionar autonomamente como derradeiros bastiões de resistência. Cada baluarte possuía um fosso. Dentro do forte erguiam‑se vários casebres de aquartelamento e munições. Merece atenção particular a porta principal da fortificação, voltada a sul. Para além de conter extensa notícia sobre a fundação da estrutura, apresenta dois surpreendentes motivos decorativos a flanquear a abertura, constituídos por dois gigantes, cada um segurando uma mó e um pergaminho. Na mensagem inscrita nos pergaminhos lê‑se: "Quem por aqui quiser entrar, com esta mó há‑de pagar: que eu e meu companheiro a vigiamos sem dinheiro". Esta mensagem talvez aluda à suposta ou desejada incorruptibilidade dos defensores do forte, numa época em que grassavam os subornos entre as diversas forças militares do subcontinente indiano. Sobre o arco existe um nicho com a imagem de São Jerónimo, coroado pelas armas portuguesas e uma cruz. A Igreja de Nossa Senhora do Mar, dentro do recinto do forte, foi edificada em 1774, segundo uma inscrição que existiu sobre a porta principal. Situa‑se próximo do Baluarte de São Francisco Xavier e, provavelmente, no sítio de uma capela ou ermida primitiva, que já existia em 1730. A fachada principal da igreja foi refeita em 1899. O retábulo existente na capela‑mor pertencia à Capela de Santa Rita de Cássia, do convento dos agostinhos.

Sidh Losa Mendiratta

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