Convento e Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe

Convento e Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe

Chaul [Revdanda Fort], Maharashtra, Índia

Arquitetura religiosa

As ruínas da igreja dominicana constituem, a pardo perímetro das muralhas, o conjunto arqueológico mais importante de Chaul. Em novembro de 1548, o vigário geral dos dominicanos na Índia solicitou ao arcebispo de Goa autorização para edificar uma casa em Chaul. Apesar de não ter sido concedida, o arcebispo permitiu a passagem de dois missionários dominicanos a Chaul, doando à ordem a pequena Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe. Não é possível determinar se esta ermida estaria no mesmo local onde, volvidos poucos anos, osdominicanos iniciaram a construção de uma igreja e convento que estariam praticamente concluídos cercade 1569, altura em que é definida e confirmada a esmola da fazenda régia a atribuir ao convento. O novo conjunto edificado sofreu consideravelmentecom o prolongado cerco de Chaul de 1570‑1571, visto estar situado na linha de frente do perímetro defensivo improvisado para defender a cidade. O conventodominicano foi até ocupado pelas forças atacantesno final do conflito. Após o levantamento do cerco,o convento e igreja permaneceram alguns anos arruinados,enquanto os missionários se esforçavam porangariar fundos para a sua reconstrução, que ocorreu entre 1580 e 1590. Não se sabe em que medida esta obra alterou a arquitetura original da igreja, mas é muitopouco provável que tenha afetado o tipo planimétricoe a forma das capelas laterais. De facto, a igreja dominicana de Chaul é provavelmentedas primeiras na arquitetura portuguesa a adotaro tipo de nave única com capelas laterais inter‑‑comunicantes. Segundo os levantamentos de Gritlivon Mitterwallner, Nossa Senhora de Guadalupe - amaior igreja de Chaul em área - tinha cinco capelaslaterais de cada lado da nave, ligadas entre si e com otransepto. O tipo apareceu em Portugal em São Franciscode Évora, durante uma campanha de obras dadécada de 1480. Depois, em São João Evangelista deVilar de Frades (1513 ‑1523), na igreja jesuíta do EspíritoSanto em Évora (depois de 1566) e em São Domingosde Viana da Foz do Lima, que deve ser contemporâneada igreja de Chaul. A fachada desapareceu quase por completo.Segundo Mitterwallner, é apenas possível determinarque teria três portas. Não sabemos se a nave da igrejatinha uma cobertura em telhado ou em abóbada. Noentanto, as capelas laterais do lado da epístola sustentamainda abóbadas góticas de cruzaria de ogivas, dasmais complexas existentes no antigo Estado da Índia,só tendo paralelo naquelas que podemos ver na Igrejado Rosário, em Velha Goa. A capela lateral intermédia(terceira a contar da fachada principal ou do transepto)apresenta uma abóbada ainda mais complexa do queas outras. Em algumas abóbadas ainda se notam vestígiosde frescos. Cada capela lateral tinha duas janelasesguias a flanquear a zona do altar. Detrás do arco triunfal situam‑se as ruínas da capela‑mor. Do lado esquerdo das alvenarias do arcotriunfal existe uma abertura, possivelmente para umsino. A capela‑mor estava coberta por uma abóbadade caixotões. Nas paredes laterais notam‑se marcas do cadeiral do coro que, como sucedia na igreja da ordemem Goa, se situaria aqui e não sobre a porta. A localizaçãodo coro na capela‑mor explica a grande dimensãodesta relativamente ao corpo da igreja. Talvez condicionadaspela existência do coro, encontram‑se duasjanelas e uma porta em cada lado da capela‑mor.Existem ainda duas janelas e duas portas na paredetesteira, flanqueando a zona do desaparecido retábulo.Estas portas conduziam ao camarim. No friso de arranqueda abóbada destacam‑se mísulas salientes.Na dependência a sul da capela ‑mor estava a sacristia,onde, em meados do século XIX, ainda havia vestígiosde um altar e sepulturas. Todo o chão da igreja está sepultado por cerca deum metro de terra que sustenta vários coqueiros. A sul e este do corpo da igreja dispunham‑se o convento e noviciado dominicanos, cujas ruínas praticamente desapareceram.

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