Convento Franciscano de Santo António

Convento Franciscano de Santo António

Vasai Fort (Baçaim/Baçaím/Bassaim/Bassein), Maharashtra, Índia

Arquitetura religiosa

O italiano Gemelli Careri, ao escrever sobre a igreja dos Franciscanos de Baçaim que visitou em 1699, tomou nota de que não estava feita "segundo o costume indiano" mas "à maneira da Europa" porque tinha "muitas capelas". De facto, diferentemente de todas as outras igrejas da cidade, a igreja tem seis capelas laterais profundas, três de cada lado da nave, inter-comunicantes por uma passagem aberta entre as paredes separadoras, pertencendo portanto a um tipo raríssimo na Índia.

Encontramos este tipo de planta na igreja dos dominicanos e na Sé de Chaul (ambas em ruínas), existia provavelmente na dos dominicanos de Velha Goa (desaparecida), podemos vê-lo na Sé de Velha Goa, e, ainda nesta cidade, nas ruínas da igreja dos Agostinhos e nas fotografias e gravuras mostrando como era a desaparecida igreja dos Carmelitas.

As capelas laterais pertenciam em Baçaim a benfeitores da aristocracia, como era da tradição e explicou o sucesso deste tipo arquitectural nas igrejas católicas europeias da Baixa Idade Média e dos séculos XV e século XVI. Uma das capelas da igreja, por exemplo, alberga o túmulo de D. Francisca de Miranda, falecida em 1606, mulher de Manoel de Melo Pereira, "instituidor" da capela, e da filha e neto de ambos.

O convento (da invocação de Santo António) foi a casa principal dos franciscanos recolectos na Província do Norte. A sua fundação está associada a frei António do Porto que chegou em Janeiro de 1547 à Índia com um grupo de religiosos franciscanos da Província da Piedade. Em Baçaim, frei António do Porto estabeleceu um orfanato ou casa de catecúmenos para órfãos nativos e mestiços que, volvidos poucos meses, albergava 50 rapazes. Provavelmente anexas à casa para órfãos, existiam já em 1548 as estruturas de um convento primitivo. Em 1549, a missão franciscana em Baçaim foi integrada na Custódia de S. Tomé (dos franciscanos regulares da Província de Portugal). Esta integração veio facilitar a gestão económica da missão e possibilitar a entrada de mais religiosos a partir de Goa.

Em 1552, os franciscanos de Baçaim transferiram a sua instituição de recolha de órfãos para Manapacer, na ilha de Salcete do Norte Provavelmente também em 1552, optou-se pela reconstrução da casa primitiva em Baçaim, anexa a uma pequena igreja que nesta altura estava praticamente edificada.

No ano de 1558 estava concluído o essencial das obras da primeira igreja pertencente ao convento de Santo António. Com o decorrer do tempo, o convento tornou-se capaz de albergar entre 40 e 50 frades e viria a incluir também um colégio onde se ensinava Teologia e Filosofia.

Em 1713, o convento tinha 15 religiosos e ainda se ministravam aulas de Filosofia.

O conjunto cujas ruínas subsistem é articulado pela igreja, com a capela-mor a norte, e um claustro que tinha dois pisos, situado a poente, à volta do qual se dispunham as funções do convento e colégio. O corpo edificado mais a sul, paralelo á fachada da igreja, prolongava-se para poente, direito ao mar (e à muralha depois desta ser construída).

Todas as molduras arquitectónicas ainda existentes em estado reconhecível na igreja e claustro parecem ser datáveis da transição entre o século XVI e o século XVII.

A igreja tinha uma torre encostada à capela-mor, provavelmente muito alta como era hábito nas fundações franciscanas no Norte.

A fachada é antecedida por uma grande galilé com três arcos sustentados por colunas toscanas.

Estão orgulhosamente intactos o arco abatido de grande vão que sustentava o coro alto aberto sobre a nave, as três capelas laterais do lado nascente da nave, a abóbada de caixotões de desenho caprichoso da capela-mor, e o camarim que se abre na sua testeira, exactamente na mesma posição e com praticamente a mesma forma que o da igreja dos Franciscanos de Velha Goa.

A rendição da praça de Baçaim aos Maratas em 16 de Maio de 1739 foi assinada em Santo António.

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