Igreja de Santo André

Igreja de Santo André

Bandra [Bandora/Bandorá], Área Metropolitana de Mumbai (Bombaím), Índia

Arquitetura religiosa

De acordo com o padre Francisco de Sousa, a Igreja de Santo André de Bandra foi fundada pelos jesuítas em 1576. Provavelmente tratava‑se de uma estrutura modesta, ou feita com materiais temporários. Em 1595, procedia‑se às obras de construção do edifício, decerto em materiais perenes. O tipo (nave única coberta de telhado e capela‑mor abobadada) e a estrutura murária existentes são no essencial aqueles que foram criados nesse ano, não havendo razão para acreditar na história posta a correr pela gazeta britânica, publicada pela primeira vez em 1882, e repetida por Gerson da Cunha em 1900, de que a igreja teria sido virada ao contrário aquando de obras que lá ocorreram em 1864, com a capela‑mor transferida de nascente para onde está atualmente, a poente, contra o mar. Em 1864 decorreram obras importantes em Santo André. Datará de então, em particular, o desenho da fachada que hoje podemos ver, talvez inspirada no tipo de composição presente no Calvário de Nirmal e em São Tomás de Sandor, uma composição retabular muito elaborada, impossível naquela forma na arquitetura indo‑portuguesa dos séculos XVI a XVIII, que mais parece uma exposição de molduras e motivos decorativos arquitetónicos encontrados aqui e ali: colunas toscanas com plintos, cornijas, mísulas‑volutas, rosetas, colocadas por uma ordem arbitrária: arquitraves com mísulas sobre arcos, pináculos de urna sobre arquitraves, um frontão gótico sobre janela "romana", etc. A tradição dos católicos de Bandra, recolhida por Brás Fernandes, não faz referência a esta obra da fachada, mas admite que em 1864 a igreja tenha sido dotada das duas torres, substituindo anteriores, provavelmente simples sineiras. A base da torre norte alberga hoje a escada do coro alto, e a da torre sul o batistério. Um dos sinos tem a inscrição "Santo Andre de Bandora 1793" e o outro "Santo Andre de Bandora 1869. Recast 1900". Será igualmente dessa época o rasgamento até baixo das janelas laterais. Em 1965, toda a fachada foi deslocada cerca de vinte e dois metros para nascente, de modo a aumentar o tamanho da nave, que tinha até então apenas trinta metros de comprimento. O acrescento, em betão, é bem visível, embora tenha a mesma largura e praticamente a mesma altura que a nave antiga. Os paroquianos decidiram manter "the original Portuguese façade", a que lá está, atitude característica de uma comunidade dirigida por gente de camada social elevada, orgulhosa do seu passado. O aumento da nave implicou o sacrifício do coro alto original sobre a entrada, sustentado por colunas ou pilares, e a deslocação para o interior da escada de acesso ao púlpito, que foi mutilado para se lhe inserir a escada. Os altares laterais e duas tabelas esculpidas em madeira de grande qualidade remontam ao início do século XVIII. O altar‑mor original, apodrecido, foi substituído em 1890 pelo atual altar gótico, revestido a mármore, em 1906. Nesse ano de 1890 fez‑se também um pórtico de madeira, bastante comprido, para proteger a entrada da igreja, desaparecido em 1965. No cemitério em frente à igreja encontram‑se inscrições em português até à década de 1860. O grotto de Nossa Senhora de Lourdes, à entrada do terreiro, é de 1921, e foi construído por Augustus Pereira de Saint Andrew’s Road. A sul da igreja foi implantada uma grande cruz de granito com os instrumentos da Paixão esculpidos, oriunda do demolido colégio jesuíta de Santana.

Paulo Varela Gomes

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