Igreja de São João Batista (antiga Igreja de Santo António)

Igreja de São João Batista (antiga Igreja de Santo António)

Thane [Taná/Tane], Área Metropolitana de Mumbai (Bombaím), Índia

Arquitetura religiosa

A casa original dos franciscanos em Taná terá sido fundada entre 1580 e 1582. Dedicado a Santo António, o convento foi edificado junto a um tanque sagrado, em redor do qual existiam vários templos hindus. Diz uma fonte inglesa de final do século XIX que estes templos foram desmantelados e algumas das pedras aproveitadas para a construção do convento. Segundo a tradição, o local tinha sido palco do martírio de quatro frades franciscanos por volta do ano de 1320. Cerca de 1634, o Convento de Santo António de Taná podia albergar até quinze frades. A seguir ao Convento de Daugim em Goa, era o maior centro de ensino da Província da Madre de Deus. Por volta de 1726, a biblioteca do convento continha 255 volumes. Na madrugada de 6 de abril de 1737, os maratas cercaram a cidadela de Taná, destruindo todos os edifícios religiosos em seu redor, exceto o convento dos franciscanos. A 8 de abril, o Forte de Taná rendeu‑se. O Convento de Santo António foi a única estrutura religiosa da cidade que sobreviveu intacta ao assalto marata, talvez por estar mais afastada do forte e do rio. Posteriormente, o clero nativo de Goa reocupou a igreja e rebatizou‑a (São João Batista, a invocação de uma antiga igreja paroquial da cidade). Cerca de 1769, Frei Leandro da Madre de Deus, missionário franciscano, conseguiu voltar para Taná e a reocupação do convento pelos franciscanos foi autorizada pelos maratas. Nesta altura, a paróquia contava quase quatro mil cristãos. Em 1776, morreu Frei Luiz de Santa Teresa, último vigário franciscano de Taná. Em inícios do século XIX, o clero de Goa voltou a administrar a igreja. Muito recentemente, a igreja foi literalmente revestida por uma "pele" moderna que substituiu a fachada principal a sul, acrescentou a torre que lhe está apensa, substituiu a fachada lateral a nascente e parte da fachada poente, e ergueu um edifício em volta da cabeceira. Mas, no interior, está quase intacto o edifício antigo. Uma fotografia do exterior publicada em 1925 mostra que Santo António tinha uma torre adossada ao flanco poente da capela‑mor, como muitas igrejas conventuais franciscanas, fachada frontal sem torres e com uma grande galilé parecida com a de Santo António de Baçaim, ainda que coberta por uma varanda com telhado, justificada pela posição elevada que a igreja ocupa sobre o lago a sul. No cruzeiro que havia defronte da igreja até ao início do século XX estava gravada a data de 1605 ou 1609, já não se sabe com certeza. Uma porta lateral ainda existente que dava para o edifício conventual (situado a poente e que desapareceu em data incerta) tem gravado o ano de 1666; outra, 1707; e na fachada principal aparecia a data de 1725, o que, juntamente com o estilo de molduras arquitetónicas, altares e púlpito nos dá as datas das obras essenciais da igreja antiga e do seu recheio original: entre 1605 ou 1609 (data provável da caixa murária de nave única com telhado e capela‑mor com abóbada de canhão e caixotões) e 1725, data da conclusão das obras e dos magníficos altares mor, laterais e do púlpito. Ficou registada também uma intervenção contemporânea de 1906 que se terá traduzido na instalação do pavimento cerâmico que hoje vemos na igreja, na modernização dos vãos (e provavelmente da fachada) em estilo gótico, e no teto de madeira que ainda existe.

Paulo Varela Gomes

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