Instituto Médio Industrial [antiga Escola Comercial e Industrial]

Instituto Médio Industrial [antiga Escola Comercial e Industrial]

Luanda [São Paulo de Luanda], Luanda, Angola

Equipamentos e infraestruturas

O atual Instituto Médio Industrial de Luanda situa-se nas antigas instalações da Escola Comercial e Industrial do período colonial, correspondendo o edifício à segunda versão realizada no âmbito do GUU. Ambas as versões foram projetadas pelo arquiteto José Galhardo Zilhão em 1952.

O projeto está estreitamente relacionado com o plano de urbanização de Luanda, também de 1952, realizado por João Aguiar, onde são definidas as novas zonas de desenvolvimento da cidade, e surgem claramente identificadas as localizações da futura Escola Comercial e Industrial e do antigo Liceu Feminino D. Guiomar de Lencastre (atual Escola Secundária Njinga Mbande). Ambos os equipamentos são exemplares na abordagem ao desenho da cidade proposto pelo Gabinete de Urbanização do Ultramar durante a segunda metade da década de 1950.

A conceção em rede, que defende a disseminação destes equipamentos pelo território luandense, pressupõe uma cidade que se desenvolve horizontalmente e por isso pouco densa. Pretende-se, assim, que as novas escolas mantenham "relação com as zonas residenciais", conseguindo-se "encurtar os acessos" e aproximando-se dos ideais das modernas unidades de vizinhança.

O equipamento escolar localiza-se na atual Rua Gregório José Mendes, nas imediações da antiga Avenida D. João II (atual avenida Ho Chin Minh), Implantado num lote com dimensão suficiente para permitir uma orientação adequada ao bom desempenho climatérico do edifício.

Trata-se de um estabelecimento misto, com lotação para 520 alunos, organizado em torno de pátios abertos, recorrendo à galeria como meio de distribuição. Na memória descritiva, Zilhão descreve pormenorizadamente cada espaço programático e suas disposições técnicas, preocupando-se principalmente com as questões da iluminação natural. Também os materiais de construção são exaustivamente elencados. O projeto assume a sala de aula como módulo, considerando este espaço como a "célula fundamental do edifício escolar". As grelhagens em material cerâmico que preenchem a parte superior dos vãos remetem ainda para o Liceu Salvador Correia (1936-1945). Considera-se que os alçados, de "grande simplicidade", refletem o "carácter de edifício de ensino", investindo-se na ornamentação do portão de acesso com elementos alegóricos decorativos. Contrariando as orientações seguidas em equipamentos similares propostos para aglomerados urbanos de menores dimensões, o autor não prevê uma construção faseada e desaconselha futuras ampliações do edifício.

Detetam-se relações estilísticas e estruturais entre esta escola de Luanda e a sua congénere em Nova Lisboa, a Escola Industrial e Comercial Sarmento Rodrigues, hoje Instituto Politécnico do Huambo (1952), elaborada em simultâneo, ainda que por autores diferentes. Além da semelhança em planta, os dois projetos integram ainda uma torre do relógio assinalando a entrada principal, outro elemento que transita do Liceu Salvador Correia.

Configura-se aqui uma tendência para produzir um padrão arquitetónico apropriado ao maior número de unidades escolares. É o início de um sistema que trata a sua distribuição no território colonial como uma infraestrutura de desenvolvimento. Este facto clarifica-se com a definição das Normas para as Instalações dos Liceus e Escolas do Ensino Profissional nas Províncias Ultramarinas, de 1956, que passam a disciplinar os projetos escolares dos diferentes níveis secundários.

Em 2009, o edifício encontrava-se em pleno funcionamento e em bom estado de conservação.

Ana Vaz Milheiro

Coast to Coast - Desenvolvimento infraestrutural tardio na antiga África continental portuguesa (Angola e Moçambique): Análise histórico-crítica e avaliação pós-colonial (PTDC/ATP-AQI/0742/2014)

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