Imprensa Nacional de Moçambique

Imprensa Nacional de Moçambique

Maputo [Lourenço Marques], Maputo, Moçambique

Equipamentos e infraestruturas

A Imprensa Nacional de Moçambique — inicialmente designada por Imprensa do Governo, depois Imprensa Nacional e, finalmente (1882), Imprensa Nacional de Moçambique — instalou-se na Ilha de Moçambique em 1854. Viria a ser transferida para Lourenço Marques, a título provisório, por decisão do capitão de fragata Álvaro António da Costa Ferreira, governador-geral da então colónia, em 1898. Três anos mais tarde essa decisão assumiu um carácter definitivo (AHM, Fundo do Governo Geral, Ofício nº 140, de 29 de Novembro de 1900, cx. 144, M. 1.).

Na capital foi primeiro instalada numa casa, ainda não identificada, tendo depois sido transferida para uma dependência do Governo do Distrito, sita na rua Tenente Valadim no local onde depois se construiu a atual 1ª Esquadra da Polícia. Talvez se tratasse da parte do chalet daquele governo que servia de arrecadação ao material telegráfico, sendo considerada "acanhadíssima e imprópria para uma oficina tipográfica", a que se juntava ainda encontrar-se "deteriorada e cheia de ratos" (idem).

Em Novembro de 1901 embarcaria no transporte Zaire com destino a Lourenço Marques o material e o pessoal que ainda se encontrava na Ilha de Moçambique, tendo-se instalado num dos três barracões das Obras Públicas na Ponta Vermelha, onde anteriormente se tinham alojado as Obras do Porto. A 2,5 quilómetros da cidade, ali funcionou durante cerca de três anos (DIAS 1954:28; RIBEIRO 1908:155 e segs.). Este era então descrito como sendo um edifício de "zinco, mal vedado, entrando a água por todos os lados" e onde "a temperatura se eleva[va] a tal ponto que a gelatina dos rolos da máquina de impressão se derret[ia]". Em resultado das más condições existentes, entravam no barracão a areia e a chuva, encravando o tipo, enferrujando as máquinas e danificando-lhes as engrenagens.

A par dessas dificuldades, a Imprensa debatia-se ainda com a falta de um armazém onde pudesse guardar os produtos necessários à sua laboração, como o papel, papelão, tintas, massas para rolos, sendo obrigada a recorrer a um depósito existente em outro edifício das Obras Públicas (AHM - Fundo da Administração Civil - Cx. 734 - Ofício 29).

Com vista à resolução dos diversos problemas, a construção de um edifício de raiz ocorreu ainda em 1900, por decisão do governador-geral de então. Uma das principais dificuldades consistia em o material e o pessoal se encontrar dividido entre Lourenço Marques e a Ilha de Moçambique, tornando "difícil, senão impossível cumprir satisfatoriamente com o trabalho que dele for exigido". Dois meses mais tarde, o diretor da Imprensa dizia que esta situação tinha criado um "estado verdadeiramente caótico" naquele estabelecimento industrial (idem doc.s AHM).

A Direção das Obras Públicas ficou encarregada de mandar vir da Ilha de Moçambique a planta do edifício onde ainda estava instalada parte da imprensa, a fim de poder realizar uma obra idêntica na capital da colónia. Aparentemente, esse desígnio não teve continuidade, tendo o diretor da INM solicitado, dois anos mais tarde, a construção do novo edifício. O projeto e o orçamento foram então elaborados pelas Obras Públicas (idem doc.s AHM). O desenho é do arquiteto Paulo Ferreira da Costa, tendo as obras sido executadas pela Sociedade de Construção Civil. Com um custo total de 24.404$313 réis, o edifício foi inaugurado em 31 de Julho de 1904, no decorrer das comemorações do cinquentenário da Imprensa Nacional. Mas, segundo percebemos, as obras só viriam a ficar concluídas na totalidade, muito provavelmente, em Agosto do ano seguinte, tendo-se feito a transferência das máquinas e mobiliário apenas na segunda quinzena de Janeiro de 1906(idem).

O novo edifício, porém, logo de início se revelou insuficiente para responder às necessidades da gráfica do Estado. Ao que parece as reduzidas dimensões de que se queixava o diretor da INM, terão ficado a dever-se ao facto de o projeto ter de facto sido delineado sobre os dados que tinha fornecido no que diz respeito à sua compartimentação, mas não no que dizia respeito às dimensões. Estas deficiências levariam o mesmo a sugerir que se criasse um depósito na Secretaria Geral para o armazenamento das publicações editadas, sendo as mesmas depois de devidamente inventariadas vendidas pelo Almoxarifado de Fazenda de Lourenço Marques ou, numa última hipótese, aberto concurso entre as livrarias da cidade para a sua venda durante um determinado período de tempo (idem AHM).

Um novo projeto chegou ainda a ser elaborado em 1910, com alguma grandeza, por iniciativa de Alfredo Freire de Andrade, então governador-geral de Moçambique, mas nunca chegaria a ser concretizado. Optou-se por uma solução mais económica, que passou pela sua ampliação com um primeiro andar, sobre o corpo do edifício então existente, tendo custado 19.474$67. Pensava-se que, com estas novas obras, se pudessem reunir as diferentes secções, tais como as oficinas de composição, impressão e encadernação, conjuntamente com as novas secções de litografia, fotogravura e pautação (idem para ).

Nos finais da década de 1930 foi adquirido pelo governo geral "parte do terreno que lhe corre do lado nascente", com vista à ampliação da imprensa. Ao longo do tempo novos acrescentos foram sendo feitos, como a construção dum armazém, no tardos do edifício, concluído em 17 de Agosto de 1922. Sobre esta construção viria a ser erguido um primeiro andar destinado à secção de Encadernação, finalizado em 1926 (idem para AHM).

Em Maio de 1932 a Imprensa ocupou a primitiva Cadeia Civil, que se transferira para a cidade alta, ali tendo instalado o armazém. Mas esta situação durou pouco tempo, já que a Repartição de Geologia e Minas, que se viria igualmente a ali instalar, ocupou lentamente todo o velho edifício, ficando reservados para a Imprensa apenas quatro exíguos compartimentos. Esta situação só viria a alterar-se em 1958, quando aqueles serviços foram transferidos para o novo Palácio das Repartições (atual edifício do Ministério das Finanças/ Gabinete do 1º Ministro). O espaço aberto existente entre a Imprensa e o antigo edifício da Cadeia Civil foi então coberto, instalando-se então uma nova sala para a impressão tipográfica e livraria, que estava até então funcionando num pequeno cubículo junto ao átrio do edifício (DIAS 1954:66). Um novo armazém destinado a papel, materiais e publicações foi construído em Maio de 1954, ao lado da atual Avenida da Imprensa.

Desde os finais da década de 1960 que às reduzidas dimensões da Imprensa Nacional se somava o facto de o edifício já estar desadequado e constituir perigo para a saúde e vida dos trabalhadores. Na verdade, numa descrição do edifício, a questão da segurança era novamente abordada, na medida em que estava em risco a vida de quem ali trabalhava. Assim, no tempo das chuvas, o telhado, já velho e apodrecido, deixava passar tanta água que inundava com frequência os armazéns. O primeiro andar estava escorado e havia dúvidas quanto à placa que cobria a oficina da encadernação, em razão do peso dos produtos acabados do depósito de vendas que funcionava sob essa oficina. Também a sala de arquivo se encontrava arqueada com o peso, não havendo como remediar esta situação, por não haver mais espaços disponíveis. Nas vésperas da independência (1975) chegava a dizer-se que o prédio, pelas más condições em que se encontrava, oferecia perigo de derrocada (idem para AHM).

Pensava-se já num novo edifício, mas a sua edificação no local em que a INM atualmente se encontra era empreendimento dispendiosíssimo, visto ter de obedecer às normas de urbanização, "quer em profundidade quer em altura", sendo investimento estimado em cerca de 40.000 contos. Parecia então mais razoável instalar as oficinas da mesma nos subúrbios, numa construção de um só piso, num grande terreno dentro dos limites da cidade ou mesmo fora(idem para AHM).

Foram feitas diligências para a construção da nova sede, tendo sido entregue às Obras Públicas o programa relativo a este projeto e sido inscrito um subsídio no orçamento geral da província para o desenvolvimento do mesmo em 1979. No ano seguinte parece terem-se dado passos importantes tanto na questão da escolha do terreno, bem como na elaboração do projeto do edifício a cargo do arquiteto Alberto Soeiro. Mas, mais uma vez por razões financeiras, havia dúvidas quanto à viabilidade da sua concretização, devido aos pesados encargos suportados pela INM (pagamento de aposentações aos seus funcionários e o Imposto de Defesa Nacional), necessitando de ajuda para a sua resolução, já que nem terreno ainda possuía para a concretização deste novo projeto (idem para AHM).

Após a Independência Nacional, em meados da década de 1990, com a erradicação paulatina do chumbo como material de produção e a adopção de novas tecnologias para a produção gráfica, operaram-se mudanças na ocupação de espaços do edifício, tendo-se procedido à remodelação de alguns compartimentos, sobretudo no piso superior.

Foram também substituídas as escadas de madeira que dão acesso ao piso superior, por outra de metal. O soalho que era de madeira foi totalmente revestido de tijoleira, feitas divisões em alguns compartimentos transformando-os em gabinetes, colocado um novo tecto falso e, obedecendo ao mesmo desenho inicial, foram substituídas as janelas.

Porém, o projeto de construção de um novo edifício para a INM mantém-se ainda na agenda, sendo um dos planos, a longo prazo, do atual Conselho de Administração (DEVESSE e SOPA 2014).

António Sopa

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