Edifício Casa do Dragão

Edifício Casa do Dragão

Maputo [Lourenço Marques], Maputo, Moçambique

Habitação

O Edifício "Casa do Dragão", de 1951, pertence à família do décimo quinto livro de Vitruvius Mozambicanus: as Vinte e Cinco Arquitecturas do Excelente, Bizarro e Extraordinário Amâncio Guedes, "Caixas Habitáveis e Prateleiras para Muita Gente" tendo como principal referência obras paradigmáticas do Movimento Moderno.

Amâncio d’Alpoim Miranda Guedes (1925-2015) desenha, para uma família amiga, um edifício de habitação com 4 pisos localizado entre as avenidas Armando Tivane e Eduardo Mondlane, orientado paralelamente à primeira, segundo uma planta rectangular de aproximadamente 35 metros de comprimento por 12 metros de largura, num total de 420m2 de área de implantação. Elevado do solo, sobre pilotis, o espaço exterior coberto desnivelado da rua funciona como um espaço comunitário de convívio em relação directa com a cidade. O átrio de entrada, através do qual se acede à escada principal está por sua vez elevado do solo três degraus, o espaço restante da área exterior coberta era utilizada como estacionamento. Destaca-se ainda o mural no embasamento que representa um dragão concebido em cubos de pedra com 15 metros de extensão.

A circulação vertical é hierarquizada. Além da escadaria principal, existem duas escadas de serviço, localizadas na fachada posterior, dando acesso também à cobertura.

Nos 4 pisos os apartamentos organizados de forma simétrica a partir dos dois núcleos de escadas. São habitações com 2 quartos semelhantes à das habitações do edifício Prometheus (1951-1953), também da autoria de Pancho Guedes, em que a organização interna do edifício é simples e funcional.

A resposta às necessidades de ventilação e protecção solar levam Pancho Guedes a definir um conjunto de sistemas de sombreamento que contribuem para a identidade do edifício.

A fachada principal caracteriza-se por uma sequência entre uma grelha geometrizada composta por elementos de betão e pelas varandas salientes, desenhadas através de uma superfície curva. Na fachada posterior, o volume é encerrado através grelhas de dois tipos: uma quadrícula disposta a meia esquadria, e outra formada por quebra-luzes horizontais em betão.

Hoje, o edifício "Casa do Dragão" apresenta sinais de degradação evidente, em que as principais alterações se prendem com sistemas contra intrusão, nomeadamente no piso térreo em que foram instalados gradeamentos. Foram ainda acrescentados estabelecimentos comerciais no piso térreo, e na fachada posterior, e a cobertura foi alterada. Apesar disso, preservam-se as características essenciais do projecto inicial.

Ana Tostões, Daniela Arnaut

(Referência FCT: PTDC/AUR-AQI/103229/2008)

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