Escola Secundária da Polana (antigo Liceu Dona Ana Portugal)

Escola Secundária da Polana (antigo Liceu Dona Ana Portugal)

Maputo [Lourenço Marques], Maputo, Moçambique

Equipamentos e infraestruturas

A Escola Secundaria da Polana (antigo Liceu D. Ana da Costa Portugal), em Maputo foi construída para albergar a secção feminina até ao 5º ano do vizinho Liceu Salazar, hoje Escola Secundária Josina Machel. O ediício corresponde a uma obra projectada e construída nos anos finais do regime colonial por João José Tinoco (1924-1983) e José Forjaz (1936-) usufruindo do amadurecimento tipológico atingido pelo programa de Fernando Mesquita (1916-1990’s) que adquire aqui uma expressão arquitectónica claramente brutalista.

Situa-se no Bairro da Polana, inserida num quarteirão limitado pela Avenida Kuame Nkrumah a Sudoeste, pela Avenida Kim II Sung a Noroeste, a Avenida Armando Tivane a Sudeste e pela Rua Geração 8 de Março. A implantação segue a orientação rigorosa do eixo Norte-Sul e não a geometria dos limites do lote, sendo o acesso realizado pela Rua Luís Pasteur.

Baseada nos modelos tipológicos desenvolvidos no programa escolar de Fernando Mesquita durante as décadas de 50 e 60, a Escola Secundária da Polana organiza-se segundo uma estrutura pavilhonar, que permite a distribuição e hierarquização funcional do programa, onde a circulação horizontal está orientada segundo o eixo Norte-Sul, definida através de galerias cobertas.

Os pavilhões dispõem-se, dois a dois, de forma ortogonal relativamente à galeria: os dois primeiros, de um só piso, destinam-se aos serviços de apoio administrativo, e os quatro centrais aos blocos de salas de aula. No remate da galeria localizam-se os espaços de convívio e lazer, a cantina e um pequeno auditório, e ainda os serviços de apoio como o laboratório, a biblioteca e o posto médico, servidos por uma galeria secundária. Estes espaços de lazer estão dispostos diagonalmente entre si, gesto que define a entrada em cada um deles. O seu carácter mais hermético e opaco é interrompido pelo sistema de lanternins de iluminação indirecta, elemento comum nas obras de João José Tinoco também utilizado na Fábrica de relógios "A Reguladora" (1970).

A galeria desenvolve-se em dois pisos interligando os blocos de salas de aula. A circulação horizontal está organizada partir da grande galeria central que se subdivide nas galerias de acesso às salas de aula de cada piso, e a galeria periférica a Norte que interliga os espaços de apoio. As circulações verticais são realizadas através de caixas de escadas.

Os blocos de salas de aula são constituídos por três pisos, com as salas orientadas a Sul e a galeria de distribuição a Norte. A construção é realizada em betão aparente e através de peças pré-fabricadas modulares em betão, onde se destaca a utilização dos brise-soleil verticais para protecção das salas de aula, e a aplicação de caixilharia em persiana tipo "beta".

Os recreios surgem entre os pavilhões e a galeria coberta.

A monotonia da repetição dos pavilhões é quebrada pelo jogo formal do desenho das coberturas, quer nos espaços de circulação quer nos blocos de aulas ou no auditório, e na cantina.

A Escola Secundária da Polana encontra-se em funcionamento embora com evidentes situações de degradação, nomeadamente no que diz respeito à conservação da estrutura e dos elementos de betão armado, e à consolidação dos espaços exteriores que nunca foram concluídos.

Original de Vincenzo Riso.

(FCT: PTDC/AUR-AQI/103229/2008)

Adaptação de Ana Tostões e Daniela Arnaut.

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