Igreja de Nossa Senhora da Assunção

Igreja de Nossa Senhora da Assunção

El Jadida [Mazagão], Norte de África, Marrocos

Arquitetura religiosa

Após a conclusão do perímetro fortificado, os esforços da coroa concentraram‐se, durante os anos seguintes, na continuação das obras exteriores e na construção dos edifícios da vila. Pensado como um todo, o plano do conjunto define um núcleo de edifícios públicos, símbolos de poder que sobressaem pela sua escala e localização, e uma malha urbana contínua, de quarteirões predominantemente constituídos por edifícios de habitação, com logradouro e horta. Junto à entrada da vila, definindo a praça de armas, concentravam‐se os principais edifícios públicos: o já abordado edifício da Cisterna, o Palácio do Governador e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção.
Esta igreja, dedicada à antiga padroeira da vila, foi construída na segunda metade do século XVI. É um edifício de planta retangular implantado segundo a direção mar/terra, que estrutura o conjunto. Com a cabeceira voltada a oriente, o seu alçado lateral constitui uma das frentes da praça de armas. A frontaria da igreja apresenta, ainda hoje, um desenho com estrutura seiscentista, onde podemos encontrar semelhanças com Santo André de Mântua de Alberti. Durante o século XIX, foi demolida a parte superior da torre quadrangular da igreja e construíram‐se algumas lojas frente à fachada principal, que viriam a ser demolidas em 1916. Já depois de 1916, a torre preexistente foi acrescentada, dando origem à torre atual, com características desadequadas em relação à construção portuguesa. No interior da igreja, como disse Vergílio Correia, "o arco da capela‐mor é do tipo característico do fim do século XV, o aro rebordado de uma moldura que depois de ter indicado os ângulos na parte inferior se interrompe, num corte seco, na aresta viva da ombreira. As arcadas laterais são todas abrangidas superiormente por um único caixilho retangular numa disposição também usual nos séculos XVI e XVII". Após 1821, o interior foi ocupado por particulares e adaptado às suas necessidades. Ainda durante o protetorado francês, o edifício recuperou a função de igreja católica. Durante os últimos anos tem permanecido encerrado, realizando‐se trabalhos arqueológicos no seu interior.

João Barros Matos

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