Hospital Escolar Veterinário

Hospital Escolar Veterinário

Huambo [Nova Lisboa], Huambo, Angola

Equipamentos e infraestruturas

Vasco Viera da Costa (1911-1982) desenha o Hospital Escolar Veterinário do Huambo (Nova Lisboa) em 1970, período de grande maturidade e reconhecimento público. Nesse ano é eleito primeiro responsável pela Secção de Angola do Sindicato dos Arquitectos, e nove anos depois será o fundador da Escola de Arquitectura de Luanda de que é director até 1982, ano da sua morte.

A localização do Hospital Escolar Veterinário do Huambo é definida pelo Plano Director de Nova Lisboa de 1972, que integra a matriz radial da cidade pensada em 1912 no plano do Engenheiro Carlos Machado Roma, e prevê a expansão urbana para sul devido aos constrangimentos topográficos e à existência da linha de caminho-de-ferro a norte.

Localizado a cerca de 3km do centro da cidade e implantado a 300m da Avenida Nuno Álvares, que liga Huambo para Caconda, o Hospital Escolar Veterinário está integrado num lote de aproximadamente 1200ha, onde já se encontrava construído o Instituto de Investigação Veterinária de Angola (IIVA).

O projecto é encomendado pela Universidade de Luanda e integra o conjunto dos primeiros edifícios dedicados ao ensino universitário em Angola. Respondendo às exigências do reitor da Universidade de Luanda, Professor Doutor Ivo Soares, o programa extensivo, pensado para uma dimensão colossal com a maior universidade veterinária subsariana, contemplava salas de aula, auditórios, salas de observação, blocos operatórios e enfermarias, com jaulas de diferentes dimensões para alojar animais.

O projecto de Vasco Vieira da Costa desenvolve-se segundo uma volumetria horizontal com 170m de comprimento na direcção nordeste-sudoeste organizada segundo uma planta em H composta por volumes formalmente distintos que correspondem a funções distintas.

A entrada é sugerida e encaixada entre os dois auditórios, e corresponde a um espaço localizado a eixo do conjunto contendo um pátio à volta do qual se organizam as circulações: os corredores; a escada de ligação entre os diferentes níveis; e a passagem coberta rampeada de articulação entre os dois volumes longitudinais de maior comprimento, e cuja cobertura corresponde ao volume superior destinado a abrigar os médicos residentes.

O corpo longitudinal junto à entrada está subdividido: à esquerda um volume de dois pisos destinado a salas de tratamento, observação e blocos operatórios; e à direita um volume de um piso contendo as salas de aula, limitado a norte pelo anfiteatro. As enfermarias de animais estão localizadas no volume longitudinal, paralelo ao primeiro, afastado da entrada, ajustado à topografia do terreno e segmentado em dois com características formais distintas. Enquanto o bloco para animas de grande porte é composto por uma sequência de volumes autónomos ligados entre si por um corredor coberto, gerando uma sequência ritmada de cheios e vazios, o volume destinado a animais de menor dimensão é composto por um conjunto de sete salas contíguas ligadas por um corredor exterior que envolve as salas.

Tal como para os edifícios localizados em Luanda, Vasco Vieira da Costa irá desenvolver um estudo aprofundado do clima tropical húmido do Huambo. Este estudo irá traduzir-se num léxico formal específico, diferente do de Luanda, comprometido com o vocabulário formal moderno e expresso no desenho de sistemas de controlo ambiental passivo eficientes e de elevada riqueza formal.

O Hospital Escolar Veterinário localizado no planalto central angolano, caracterizado por um clima ameno mas também por chuvas torrenciais diárias entre Outubro e Abril, será desenhado a partir da compreensão das características climáticas, em harmonia com a paisagem. Vasco Vieira da Costa estabelece relações de continuidade entre interior / exterior, através das extensas palas de betão armado enquadradas na estrutura do edifício e necessárias para garantir o uso dos diferentes espaços exteriores e de circulação, recorrendo à transparência das grelhas de betão e vãos estrategicamente dispostos para a ventilação natural dos espaços interiores, integrando caleiras os tubos de queda, assumidos plasticamente entre pilares e dimensionados para o escoamento diário de águas pluviais, usando dois materiais com uma lógica irrepreensível, o betão estrutural, por vezes preenchido por tijolo maciço entre a estrutura.

A revelação dos elementos estruturais em conjunto com o uso do "béton brut" como foi divulgada por Le Corbusier e posteriormente por Reyner Banham na obra "The New Brutalism", em 1955, determina a imagem do edifício enquadrando-o na estética brutalista definida

O edifício nunca foi terminado, e durante a Guerra Civil (1975-2002) foi usado como quartel militar. Actualmente, a estrutura pertence à Universidade José Eduardo dos Santos, criada em 2009, e está prevista a sua reutilização como Hospital Veterinário.

Original de Margarida Quintã

(FCT: PTDC/AUR-AQI/103229/2008)

Adaptação de Ana Tostões e Daniela Arnaut.

Ana Tostões

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