Lar das Raparigas

Lar das Raparigas

Bissau, Guiné-Bissau | Golfo da Guiné | São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau

Equipamentos e infraestruturas

O projeto para o Lar das Raparigas em Bissau, elaborado por António Sousa Mendes em 1966, reflete o trabalho desenvolvido pela terceira e última geração de arquitetos da DSUH-DGOPC, que herda as estruturas iniciais do GUC e do GUU, introduzindo gradualmente uma mudança significativa nas práticas metropolitanas.

O Lar das Raparigas, destinado a albergar jovens estudantes deslocadas das zonas rurais, foi implantado no sector educacional junto à zona do antigo liceu, num terreno com entradas pelas antigas Rua de Macau e Avenida Teixeira Pinto, correspondentes respetivamente às atuais Avenida Cidade de Lisboa e Avenida Francisco Mendes, e permitiu igualar a assistência já prestada aos estudantes do sexo masculino no edifício hoje ocupado pelo atual Liceu Agostinho Neto e que no período colonial serviu de Lar para Rapazes (antiga Prefeitura Apostólica de Bissau).

O projeto de António Sousa Mendes representa uma atualização importante na linguagem utilizada pelos profissionais da DSUH-DGOPC, distanciando-se de quaisquer conotações historicistas e detendo-se em soluções mais orgânicas.

O desnível do terreno levou o arquiteto a projetar uma solução de pisos desencontrados nos dois corpos que compõem o edifício, os quais são servidos por uma escada localizada de maneira a que cada lanço sirva um piso. A distribuição do programa fez-se de acordo com a funcionalidade dos espaços, tendo em vista a protecção da insolação e o aproveitamento dos ventos dominantes. As entradas de ar (módulos abertos) foram pensadas de modo a facilitar a ventilação transversal dos quartos e das camaratas, que integram janelas basculantes nas paredes contíguas aos corredores. Uma galeria coberta com arcadas acentua a unidade entre os dois blocos.

O grau de pormenorização e de detalhe, utilizado neste edifício, torná-lo-ia num dos projetos mais arrojados da capital guineense, realizados desde Lisboa.

O seu estado arruinado, em 2011, não impediu a constatação da qualidade da arquitetura da última fase da presença colonial. Recorrendo muitas vezes a soluções experimentais, este tipo de edifícios também resistiram menos às vicissitudes dos trópicos, em relação à produção anterior do GUC e do GUU. O edifício foi demolido em 2012.

Ana Vaz Milheiro

Os Gabinetes Coloniais de Urbanização: Cultura e Prática Arquitectónica.
(PTDC/AUR-AQI/104964/2008)

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