Pavilhão de Tisiologia do Antigo Hospital de Bissau [Hospital 3 de Agosto]

Pavilhão de Tisiologia do Antigo Hospital de Bissau [Hospital 3 de Agosto]

Bissau, Guiné-Bissau | Golfo da Guiné | São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau

Equipamentos e infraestruturas

O Pavilhão de Tisiologia do Hospital de Bissau foi projetado por Lucínio Cruz e Mário de Oliveira, entre 1951 e 1953 para doentes tuberculosos, e construído a pedido do governo da província à entrada de Bissalanca, a cerca de 6 km do centro da cidade, numa altura em que algumas valências são gradualmente implantadas fora do sector hospitalar existente no centro de Bissau. Erguido no recinto do atual Hospital 3 de Agosto, atualmente em ruínas, em 1962 funciona já como novo hospital militar, situação que se prolonga com a guerra colonial.

A versão final do edifício coincide com a segunda proposta e está já concluída no início dos anos sessenta, segundo dados da Agência Geral do Ultramar. As preocupações funcionais dominam o desenho. Respeitando o programa fornecido pelo Governo da Guiné, é dada grande relevância à orientação do edifício, devendo o edifício ser implantado “de modo que a fachada de maior desenvolvimento fique defendida contra a insolação, e possa ao mesmo tempo beneficiar dos ventos dominantes que nesta localidade sopram com mais persistência nos quadrantes de NE e SW. Assim será conveniente que a respectiva fachada tome a direcção WSW e ENE”, segundo a memória descritiva.

Dada a natureza do programa, a correta ventilação do edifício torna-se fulcral para o sucesso terapêutico, bem como o acesso dos pacientes ao exterior através da galeria de repouso, integrada na fachada principal. Nesta altura, os estudos acerca da ventilação eram uma prática corrente e integrada no trabalho do Gabinete. A ventilação horizontal é feita através da localização das portas e janelas com respetiva correspondência nas paredes opostas, de modo a ativar a circulação do ar por efeito dos ventos dominantes. A ventilação vertical ou diferencial faz-se através de ventiladores, provocando uma contínua renovação do ar resultante da diferença de densidades em função da temperatura. Os arquitetos asseguram ainda a iluminação natural e direta a todos os compartimentos, à exceção da sala de Raio X.

A opção por uma cobertura inclinada de quatro águas, condição recorrente noutras construções projetadas na metrópole para as colónias, é aqui justificada por questões climatéricas já que nas “regiões tropicais a maior parte do calor é transmitida ao edifício através do telhado”. A sua configuração volumétrica permite mais facilmente criar uma caixa-de-ar ventilada, como explicam os autores na memória descritiva.

O programa foi distribuído pelos dois pisos do edifício. O piso do rés-do-chão seria reservado a doentes do sexo masculino e o primeiro andar a doentes do sexo feminino, ambos com uma disposição de compartimentos idêntica, com exceção da cozinha, que se situaria no rés-do-chão, localizada num corpo autónomo. Na entrada do edifício, ao lado direito, encontra-se uma pequena dependência destinada ao porteiro, assim como a escada de acesso ao primeiro andar. Toda a ala da esquerda é destinada ao internamento e está integrada entre duas galerias, uma de serviço e outra de repouso que dá para a fachada principal, e está diretamente ligada às enfermarias.

Ana Vaz Milheiro

(projeto GCU, FCT ref.ª PTDC/AUR-AQI/104964/2008)

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