Aerogare do Aeródromo de Díli

Aerogare do Aeródromo de Díli

Díli, Díli, Timor

Equipamentos e infraestruturas

O I Plano de Fomento Ultramarino (1953-1958) para Timor foi, essencialmente, um plano de reconstrução do território que se encontrava em ruínas e desprovido dos equipamentos urbanos mínimos, na sequência da ocupação japonesa, durante a II Guerra Mundial. Os dois grandes vetores de atuação do plano de investimento foram direcionados para o aproveitamento de recursos e para o estabelecimento de redes de comunicação e de transportes. As verbas para a construção da aerogare são atribuídas em 1953 e 1954, admitindo-se este último ano como data provável para a conclusão da obra. O projeto inicial, solicitado pelo Governador de Timor, foi desenvolvido, no Gabinete de Urbanização do Ultramar, pelo arquiteto José Manuel Galhardo Zilhão. A base programática tinha sido definida na colónia, e posteriormente revista e ampliada pela Direcção de Aeronáutica Civil.

A aerogare foi construída para dar apoio ao trânsito aéreo do aeródromo pré-existente, localizado em campo aberto, numa das áreas delimitadas como zona de proteção pelo Plano Geral de Urbanização de Díli (1951). As reduzidas dimensões da aerogare mostravam-se, na altura, suficientes para o tráfego que correspondia a uma média de dois aviões com oito passageiros por semana. As linhas simples conferiam-lhe uma linguagem moderna e funcional, resumindo-se o edifício a um volume de planta retangular que se desenvolvia ao nível do piso térreo, coberto com uma laje oblíqua, do qual sobressaia a torre de controlo, de planta quadrangular, com quatro pisos, coroada por uma varanda no último. Os vãos envidraçados da fachada orientada para as pistas permitiam a visualização desafogada sobre o campo. Nessa fachada a proteção dos vãos contra a incidência solar era conseguida por um elemento horizontal contínuo que simultaneamente protegia, do sol e da chuva, a plataforma exterior de embarque e desembarque. As aberturas que pontuavam a fachada superiormente serviam para ventilar a cobertura, procurando a climatização natural do espaço interior. A entrada funcionava na fachada oposta que era ritmada por elementos verticais fixos de proteção dos vãos contra a agressiva irradiação solar oriunda de noroeste.

Não podendo aferir que o funcionamento do edifício se processasse exatamente como definido em projeto, descreve-se o esquema funcional previsto na memória descritiva. Segundo este documento, o corpo retangular divida-se entre área de passageiros e área administrativa, esta última com acesso independente. A área de passageiros dispunha de uma sala de espera a partir da qual os passageiros acediam aos serviços alfandegários, aos escritórios das companhias para a compra de bilhetes, aos gabinetes de saúde e emigração, aos C.T.T. e ao restaurante-bar. A área administrativa englobaria a secretaria e o gabinete do diretor que tinha vista sobre o campo. Os serviços técnicos funcionariam nos quatro pisos da torre de comando.

Embora tivesse sido concebido com o propósito de funcionar como aeródromo de dimensão internacional, em 1971 o equipamento já não se mostrava capaz de satisfazer as necessidades crescentes do trânsito aéreo de Díli. Nesse mesmo ano, de acordo com o Relatório do Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento de Timor, encontrava-se já em projeto a construção de um novo aeroporto em Madoi, a 3 km da cidade. O aumento exponencial da população de Díli durante o período de administração indonésia e a consequente expansão do perímetro urbano levaram à absorção das áreas livres que circundavam a cidade, incluindo a zona onde se inseria o campo de aviação, que acabou por ser preenchida por construções. Atualmente, a aerogare encontra-se integrada nas traseiras do Palácio Presidencial numa área de armazenamento.

Isabel Boavida

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