Casa dos Colaço

Casa dos Colaço

Madgaon [Margão], Goa, Índia

Habitação

A Casa dos Colaço, inserida no centro urbano de Margão, foi construída, em 1896, por ordem de Servelino Jacinto Colaço, casado com Isabel de Santa Rita Vaz Colaço, avô do atual proprietário, Filipe Colaço, de quem proveio a informação, corroborada por um registo inscrito na fachada. O edifício sofreu obras de restauro que o ampliaram em 2006.

A Casa dos Colaço apresenta um só piso, corpo retangular, e integra-se na tipologia de casa-pátio, com origem na tradição hindu. Pintada de amarelo, tem uma ampla fachada, enaltecida pelas particularidades decorativas patentes no frontispício. As janelas de sacada, com arcos de volta perfeita, enquadradas por molduras brancas, a condizer com os restantes vãos, dever-se-ão ao modelo difundido pelas casas sobrado de origem portuguesa. No remate das janelas foi sobreposto um estreito beirado, com a intenção de proporcionar sombra durante o verão e de proteger das chuvas fortes na época das monções, composto de telhas e contendo, no rebordo, lambrequins pintados de branco. Apresenta, ainda, uma varanda corrida, sustentada por mísulas, demarcada por um gradeamento castanho com um admirável teor decorativo que anuncia um tema vegetalista, formando um motivo floral com folhas de acanto, pintadas de branco, e corola colorida de amarelo.

Os alpendres, designados em Goa por balcão ou balcony, constituem um dos elementos mais efusivos das casas-pátio e encontram-se usualmente no centro da fachada, frequentemente ligados à varanda. O alpendre da Casa dos Colaço, localizado ao centro da fachada, em comunicação com a varanda corrida, apresenta cobertura de quatro águas, sendo sustentado por duas pilastras adossadas e colunas com capitéis de inspiração dórica, com um fuste canelado e base decorada com motivos vegetais, volutas e flores de pétalas, erguendo-se acima da cumeeira. Acede-se ao alpendre através de escadas exteriores de dois lances opostos, marcados por efeitos de ondulação que concedem dinamismo e exuberância ao frontispício, tendo a particularidade de ostentar volutas nas extremidades dos muros e de conter uma guarda de varanda redonda. O alpendre tem bancos laterais, corridos em alvenaria, que proporcionam momentos aprazíveis, ao abrigo do calor.

A Casa dos Colaço encontra-se ordenada em torno de um pátio interior, para onde se abrem os vários compartimentos domésticos, conhecido em Goa como rozangon, com origem no raj angon hindu.

Nos oratórios indo-portugueses, há lugar a uma miscigenação entre temas ligados ao cristianismo, acolhidos por via dos modelos portugueses, e elementos provenientes do fundo religioso local pré-existente, aplicados pelos artistas locais, provavelmente convertidos, na execução das obras. O oratório da Casa dos Colaço compreende oito nichos, apresentando ao centro, a coroar a composição e em posição de maior destaque, a Crucificação de Cristo tratada com minuciosidade anatómica. No registo inferior, também ao centro, encontra-se a Pietá, Nossa Senhora com Cristo morto no regaço, com um representação bastante invulgar do corpo de Cristo, exposto com sete espadas cravejadas, materializando as setes dores da Mater Dolorosa que acolhe o filho nos braços. Nos nichos laterais do lado esquerdo, reconhecem-se Santa Ana e São Sebastião; nos do lado direito, identificam-se São José, Santo António e São Roque. As imagens são todas policromadas e foram esculpidas com grande delicadeza, conforme se pode comprovar pelos pormenores das vestes, das mãos, dos rostos e do corpo de Cristo.

Ligia Sampaio

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