Fortes

Fortes

Halmahera, Maluku do Norte, Indonésia

Arquitetura militar

Ao que parece, os espanhóis terão sido os primeiros europeus a construir fortificações em Halmahera, a maior ilha do arquipélago das Molucas. Com efeito, foi ainda no âmbito da expedição espanhola comandada por Rui Lopes de Vilalobos (1542‐1546), que os seus sobreviventes ajudaram o autoproclamado sultão de Jeilolo, Katarabumi (r. 1534‐1551), a construir um forte na povoação do mesmo nome, que lhe servia de residência e capital.
Como acontece com a quase totalidade das fortificações erguidas por portugueses e espanhóis nas Ilhas das Especiarias, as características dessa construção, que também servia de residência real, não são bem conhecidas. Veio substituir uma outra, maior e mais forte, rodeada por uma cava, que o mesmo sultão Katarabumi erguera anteriormente nas imediações, segundo a traça da autoria de um renegado português ao seu serviço. Apesar de este primitivo forte ter resistido facilmente ao assédio conduzido em conjunto pelo capitão português de Ternate, Jordão de Freitas (1544‐1545), e pelo capitão da armada enviada de Goa a Maluco em 1545, Fernão de Sousa de Távora, Katarabumi decidiu demoli‐la. Construiu então uma nova, mais pequena e defensável, num ponto ligeiramente mais elevado, mantendo embora, tal como a anterior, comunicação com o mar. Tanto o novo forte como a "cidade" e as mesquitas contíguas, foram conquista‐ dos, queimados e demolidos, em 1551, no assalto do sultão Hairun de Ternate (r. 1535‐1545 e 1547‐1570) e das forças portuguesas, comandadas pelo capitão de Ternate, Bernardim de Sousa (1546‐1549 e 1550‐1552).
Este forte tinha dupla muralha, das quais a exterior, dotada de dois grandes baluartes, era muito forte e resistente à artilharia, ao passo que a muralha interior era comparativamente muito mais fraca, formando uma espécie de torre ou castelo, com dois outros torreões ou baluartes, que serviam de residência propriamente dita ao sultão, suas mulheres e filhos. À maneira local, o formato deste forte era trapezoidal, com uma grande frente na parte mais baixa, sendo muito estreita na parte virada ao interior da ilha. Fazia conjunto com outras fortificações mais pequenas, designadas por baluartes e bastiões, dispersos pelas imediações. Estas eram construções precárias, de pedra, com "muros de paredes fracas".
Um desses baluartes, virado ao mar, dava abrigo a um pequeno casario extramuros e às embarcações varadas na praia contígua. Gabriel Rebelo descreve assim o Forte de Jeilolo: "Todo o muro era feito a maneira de vallado com terra e pedra; tinha, a cerqua, dous baluartes e sua cava mui largua, estrepada por dentro, e por fora, com tão bastos estrepes e postos ao revez huuns dos outros, [...], os quais erão toda a força da fortaleza, por os defenderem com muitas espinguardas e arremessos. Tinha, o castello, outros dous baluartes, com sua cava estrepada, e outro ao pée do muro".
Não se conhece a localização exata destes fortes erguidos pelo sultão de Jeilolo em colaboração com europeus. Provavelmente localizavam‐se na praia de Galala, junto de Jeilolo, onde, segundo a tradição oral, existiu um forte português. No entanto, não nos foi possível encontrar os vestígios do antigo forte. Uma demorada inspeção nas imediações revelou vários conjuntos de lápides sepulcrais, algumas bastante antigas, com inscrições em caracteres arábicos, o que condiz com a informação histórico‐documental examinada acima.
Posteriormente os espanhóis possuíram ainda na Ilha de Halmahera um forte em Sabugu, na foz do rio do mesmo nome, principal porto e povoado da região de Sahu, na costa da Ilha de Halmahera, abandonado em meados de 1613, e um forte de San Juan de Tolo, mais para norte, também sobre o curso do mesmo rio, na região de Moro, cujas populações haviam sido cristianizadas por Francisco Xavier. O forte, que já existia anteriormente, poderia ter sido de origem portuguesa, pelo que a intervenção espanhola se limitou a algumas melhorias. Foi evacuado em agosto de 1613, ao ser incluído na decisão que ditou também o abandono dos fortes espanhóis de Sabugo e Gilolo.
Em Sidangoli existem ruínas de um forte, que a tradição diz ser português. Trata‐se de uma estrutura pequena no interior de uma enseada, circundada por um canal que lhe servia de fosso defensivo e hoje se encontra quase totalmente assoreado. Dele ainda podem ver‐se restos do perímetro amuralhado e de construções no interior. O forte teria sido abandonado sem que tivesse chegado a ser ocupado pelos holandeses. Ainda segundo a tradição, a povoação estava sujeita ao sultão de Ternate e não ao vizinho sultão ou sangaji de Jeilolo. É possível que se trate do forte espanhol, referido em 1637, situado a três léguas a sul de Tobaru, onde os holandeses possuíram um forte.
Nas imediações da mesquita de Gamlamu ("cidade antiga") existem ruínas de um forte que também a tradição local atribui aos portugueses, junto das quais foi encontrado um canhão, hoje colocado no terreiro defronte da mesquita.

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