Ponte Marcelo Caetano (Actual Samora Machel)

Ponte Marcelo Caetano (Actual Samora Machel)

Tete, Tete, Moçambique

Equipamentos e infraestruturas

A construção da Ponte Marcelo Caetano (que depois da independência passou a designar-se Samora Machel) integrava-se no conjunto de trabalhos indispensáveis ao arranque da construção da Barragem de Cahora-Bassa. Inscrevia-se também no mais importante eixo rodoviário da África Oriental, que, partindo da Cidade do Cabo, na República da África do Sul, passa pela Rodésia (atual Zimbabwe), Moçambique (na província de Tete, entre o Zóbué e Changara), Malawi, Zâmbia e segue além do Quénia. Em Moçambique, servia ainda regiões com grandes potencialidades agro-pecuárias e mineiras e vinha permitir o escoamento rápido e económico das produções das terras riquíssimas a norte do Zambeze, como eram o caso da Angónia, Macanga, Marávia e Zumbo. A construção teve início em março de 1968, tendo a empreitada sido entregue à empresa Empreiteiros de Moçambique SARL (ERMOQUE), estando a fiscalização e controlo dos trabalhos a cargo da Junta Autónoma de Estradas de Moçambique. Uma descrição pormenorizada apre‐ senta esta estrutura, metálica e suspensa, de grande dimensão (com autoria do engenheiro Edgar Cardoso), do seguinte modo: "A ponte sobre o rio Zambeze, com 762,00 metros de comprimento total vence 5 vãos parciais (3 centrais com 180,00 metros cada e 2 extremos de 90,00 metros cada). Trata‐se duma ponte suspensa pré‐esforçada, com cabos funiculares, sem vigas de rigidez e com cabos pré‐esforçados de rigidez formando triângulos com os cabos pendurais oblíquos, constituindo assim um conjunto perfeitamente estável. A faixa de rodagem é de 7,20 metros e dispõe de dois passeios de 2,00 metros cada, com a largura total de tabuleiro de 11,20 metros. A ponte é constituída por dois cabos funiculares que amarram aos encontros e passam pelos topos de quatro torres. São estes cabos que através dos pendurais oblíquos, ligados inferior e longitudinalmente a dois cabos de rigidez, sustentam o tabuleiro. Cada cabo funicular é constituído por sete cabos elementares de 140 fios de aço galvanizado de alta resistência; os cabos de rigidez são realizados, cada um por 146 fios de aço, semelhantes àqueles; e os pendurais oblíquos, que suportam os tramos apoiados do tabuleiro por intermédio de carlingas de betão armado pré‐esforçado, constam de 60 fios do mesmo material. Todos estes fios de aço têm o diâmetro de 5 milímetros. O tabuleiro é formado longitudinalmente por tramos simplesmente apoiados, constituídos por nove longarinas de betão pré‐esforçado, ligadas pela laje e por quatro travessas em betão armado. As quatro torres, em betão armado, são formadas por duas colunas, ligeiramente convergentes para o coroamento. As colunas são contraventadas e a ligação entre elas executada, ao nível dos aparelhos de passagem dos cabos funiculares, por uma viga, sendo todas estas peças em betão armado. Cada torre assenta numa sapata a qual por sua vez encabeça dois poços cilíndricos de betão armado com 6,00 metros de diâmetro, tendo atingido os poços mais profundos cerca de 22,00 metros. Os encontros são ocos, de betão armado, com duas peças pré‐esforçadas para amarração dos cabos, que funcionam como tirantes dessas amarrações. Assen‐ tam também em grandes sapatas, encastrando estas diretamente nos terrenos rochosos das margens". (A Tribuna, Lourenço Marques, 29.09.1972, p. 4). Viria a ser inaugurada em 20 de julho de 1972, pondo fim à travessia de batelões entre a cidade de Tete e o Matundo, que remontava à década de 1920.

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