Escola Comandante Bula Matadi [antigo Liceu de Nova Lisboa]

Escola Comandante Bula Matadi [antigo Liceu de Nova Lisboa]

Huambo [Nova Lisboa], Huambo, Angola

Equipamentos e infraestruturas

O antigo Liceu Nacional de Nova Lisboa, atual Escola Comandante Bula Matadi, no Huambo, data de 1957 e é da responsabilidade de Fernando Schiappa de Campos. O projeto segue a linha definida pelo GUU para equipamentos escolares, contribuindo para a uniformização deste tipo de programas como uma infraestrutura de desenvolvimento, e que se dissemina pelos diversos territórios coloniais.

Estas intenções clarificam-se com a publicação das Normas para as Instalações dos Liceus e Escolas do Ensino Profissional nas Províncias Ultramarinas, redigidas em 1956 pelo próprio arquiteto Schiappa de Campos juntamente com o arquiteto João Aguiar, então diretor do GUU, e com o engenheiro civil Eurico Gonçalves Machado, da Direcção Geral dos Serviços de Urbanização do Ministério das Obras Públicas, mas destacado em serviço no Gabinete. O objetivo era regularizar a construção deste tipo de edifícios, criando um corpo de conhecimento capaz de salvaguardar os aspetos funcionais das escolas construídas pelo Estado, dentro de ideais de economia e padronização construtiva.

Também conhecido como Liceu Nacional Norton de Matos, implantado entre a escola comercial e uma reserva para edificações escolares (a norte da zona hospitalar), cumpre a orientação nordeste-sudoeste, a mais adequada para este tipo de equipamento. O programa, apresentado a 29 de setembro de 1956 pelo Governo-Geral de Angola, previa para este liceu uma frequência máxima de 720 alunos de ambos os sexos, com 20 turmas (1º ano ao 7º ano, 3 ciclos de ensino).

A atual Escola Comandante Bula Matadi consiste numa versão adaptada do antigo Liceu Feminino D. Guiomar de Lencastre em Luanda (Lucínio Cruz, Eurico Pinto Lopes, 1956), cuja estrutura funcional se desenha a partir de um eixo de simetria axial, muito apropriado à duplicação de serviços quando se tratam de diferentes níveis de ensino ou de escolas mistas instalados no mesmo edifício, como é o caso deste projeto. Como consequência do clima do Huambo, desaparecem as galerias corridas ao longo da fachada principal, que se verificam em equipamentos similares, casos de Luanda ou Benguela, mantendo-se, contudo, o pórtico monumental de acesso. Schiappa de Campos recorre assim ao modus operandi definido no projeto de Luanda, particularmente no que diz respeito à inserção de soluções bioclimáticas e na uniformização dos métodos utilizados com vista à produção em série e à estandardização.

O arquiteto propunha uma solução que organiza o conjunto em torno de dois pátios, recorrendo a galerias de distribuição que também asseguram a proteção solar das fachadas ou o abrigo em caso de forte pluviosidade. O conjunto é composto por dois blocos paralelos de 3 andares cada, destinados às aulas, dois ginásios nas extremidades e um corpo central.

No volume central localiza-se a escadaria principal, o museu, a sala de conferências e a capela. Com o objetivo de tornar independentes, na medida do possível, as instalações destinadas às frequências masculina e feminina, localizam-se os dois ginásios e as respectivas instalações de apoio em extremidades opostas. O refeitório e os seus serviços de apoio, constituem um pavilhão isolado, ligado ao edifício através de uma galeria. Para recreio coberto aproveitam-se as galerias do rés-do-chão e as zonas cobertas nas extremidades do segundo bloco de aulas. As circulações são marcadas pelo embasamento em azulejos figurados de produção industrial, exibindo trajes e costumes característicos de cada província portuguesa. A utilização de janelas basculantes nas salas de aula favorece a entrada dos ventos que sopram predominantemente com a direção nordeste-este e com menos intensidade de sudoeste-oeste.

Como era frequente neste tipo de equipamentos, o arquiteto previu a construção do conjunto de uma forma faseada, sendo que os dois volumes das aulas, o ginásio masculino e o corpo central seriam incluídos na 1ª fase de construção.

Em 2014, a escola encontrava-se num estado muito próximo do original, apesar da adaptação de alguns dos espaços ao contexto atual, com um dos dois ginásios transformado num anfiteatro. O equipamento escolar encontrava-se em pleno funcionamento enquanto decorriam obras de conservação e restauro das fachadas. 

Ana Vaz Milheiro

(Projeto GCUC, FCT ref. PTDC/AUR-AQI/104964/2008)

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