Sé Catedral

Sé Catedral

Bissau, Guiné-Bissau | Golfo da Guiné | São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau

Arquitetura religiosa

O projeto de alteração da Sé Catedral, realizado por João Simões, com a colaboração de Galhardo Zilhão, entre 1946 e 1947 no âmbito da primeira fase de produção do GUC, faz parte do grupo de edifícios que reforça a presença de uma “arquitetura de representação” preconizada pelo Estado Novo na Guiné-Bissau. Enfatiza a estratégia de consolidação do poder colonial nos principais núcleos urbanos, a qual inclui, com frequência, a intervenção em obras a decorrer ou em edifícios preexistentes. Esta situação pode ser justificada por razões de qualidade compositiva ou por questões económicas e técnicas, como é o caso da Sé Catedral.

O edifício, originalmente com um projeto de Vasco Regaleira (1942), conhece ainda outras propostas de alterações, como a adaptação de Paulo Cunha (no âmbito da Brigada de Construção de Moradias), contando já com a participação de João Simões.

Coincidindo com a fase de arranque do GUC, a proposta final é atribuída a João Simões e Galhardo Zilhão que, às preexistências construídas e projetadas, contrapõem um templo delineado dentro do critério de “simplicidade”, contornando assim as grandes insuficiências de meios na Guiné no campo da construção civil. O projeto reflete uma abordagem racionalista, tanto no tratamento funcional como na preocupação económica, ostentando, todavia, uma “portugalidade tropical”. O edifício resultante aproxima-se da primeira abordagem que os arquitetos do Estado Novo tentam em África: a elaboração de um estilo original para os trópicos, sem abdicar dos temas da arquitectura tradicional portuguesa. Pretende-se fixar um modelo, que o GUC começa a desenvolver, cruzando-se a tradição da arquitetura tropical das grandes varandas e duplos telhados (ventilados) com a expressão das construções do Sul de Portugal.

A igreja encontra-se recuada relativamente à frente da Avenida da República, hoje Avenida Amílcar Cabral, criando um largo que antecede a entrada. O interior é constituído por três naves de cinco tramos, onde as laterais têm metade da largura da nave central e são antecedidas por um nártex que permite o acesso às torres sineiras, à câmara mortuária e ao baptistério. Tem um transepto pouco desenvolvido e uma abside onde se situa o altar-mor que, por sua vez, comunica com a sacristia e com o confessionário. A iluminação é feita através de vãos verticais e estreitos, centrados com os pilares da nave, e por uma rosácea ao centro da fachada principal, ladeada pelas torres sineiras. A cobertura é em madeira e as suas paredes são contrafortadas, conferindo assim uma aparência mais "robusta". O interior é ornamentado com diversa estatuária e vitrais coloridos.

Atualmente, o edifício encontra-se em bom estado de conservação, consolidando a fachada urbana de uma das principais artérias da cidade, juntamente com a antiga Sede dos CTT, projetada em 1955 por Lucínio Cruz, e construída em frente. 

Ana Vaz Milheiro

(projeto GCU, FCT ref.ª PTDC/AUR-AQI/104964/2008)

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