Forte

Forte

Mutrah [Matara], Golfo Pérsico | Mar Vermelho, Omã

Arquitetura militar

É durante os anos que permanece na região enquanto capitão‐geral do Mar Roxo, ou seja até à data da sua morte, em setembro de 1633, que Rui Freire manda fazer um forte onde assistiam, segundo António Bocarro, trinta lascarins e um capitão português. Na gravura alusiva a Mutrah, António Bocarro descreve o forte como um quadrilátero com quatro baluartes poligonais nos seus vértices, o que não corresponde à realidade, pois a costa é muito acidentada e escarpada, não sendo por isso possível ali construir o referido forte de planta regular. Não se pense no entanto que o traço de Pedro Barreto de Resende, autor dos desenhos do Livro das Plantas de Todas as Fortalezas, Cidades e Povoações do Estado da Índia Oriental, nos conduz por maus caminhos. Com efeito, na gravura referente a Muscat, e na qual aparece a baía de Mutrah, a representação do forte, embora com sabor ingénuo, é corretíssima. O Forte de Mutrah, tal como então nos é revelado e ainda assim permanece, é uma fortificação montada na penedia com dois bastiões redondos ligados por um pano de muralhas que caem sobre o mar de um dos lados, e sobre a baía - onde está a cidade - do outro. Estes panos de muralha, apoiados na serra e construídos na direção noroeste‐sudeste, têm aproximadamente oitenta metros de comprido e distam entre si doze a catorze metros. A torre de noroeste é baixa com canhoneiras, num belo exemplo de fortificação abaluartada, enquanto a outra, de dois pisos, terá sido, segundo a tradição local, posteriormente elevada. A estrutura, ainda que pareça muito complexa quando vista de terra, devido à diferença de cotas em que os panos de muralha se movimentam, é na realidade bem mais simples, sendo essas mesmas muralhas construídas como se de escadas se tratassem. A casa da guarda, do lado de terra, fica próxima do baluarte mais baixo. O forte é em alvenaria de pedra e ao contrário do que alguns autores sustentam nunca terá sido de adobe, pois que a pedra é o material disponível em toda a serra. Restaurado pelo Department of Forts and Castles do Ministry of National Heritage and Culture do sultanato, em 1982, o interior do forte mostra ainda um espaço cavado na rocha que alguns defendem tratar‐se de uma prisão, mas que, de acordo com as notícias referentes aos fortes de Muscat e à sua aparência, deverá ser antes uma cisterna onde se armazenava a tão preciosa água, bem necessária para um clima que na referência que nos traz Mariano Saldanha, nos anos idos de 1909‐1912, "era tão incrivelmente quente, que os estrangeiros se sentiam como que metidos em caldeirões ferventes ou em tinas sudoríficas". Pese algum exagero, podemos confirmar no entanto que a pressão do calor, especialmente entre maio e setembro, é tão forte que se torna muito difícil a qualquer ocidental suportar tão rigoroso clima.

Eduardo Kol de Carvalho

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