Torre Fortificada de Nossa Senhora da Vitória

Torre Fortificada de Nossa Senhora da Vitória

Hurmuz [Ormuz/Hormoz/Armûz], Golfo Pérsico | Mar Vermelho, Irão

Arquitetura militar

A primeira campanha de obras portuguesa decorreu de 24 de outubro de 1507 a janeiro de 1508, por determinação de Afonso de Albuquerque. A torre, dedicada a Nossa Senhora da Vitória, em função do êxito militar alcançado, foi a primeira estrutura erguida, ainda que nesta fase não tenha atingido a altura máxima. O seu piso térreo serviu desde logo de cisterna, tendo o governador mandado ali colocar oito tanques com capacidade para oito pipas (os dois tanques entulhados que afloram à superfície do pátio interno são, por certo, vestígios desta realidade). À base da torre estava adossado um corpo baixo e avançado, cuja plataforma superior, com o parapeito rodeado de canhoneiras, servia de bateria, uma estrutura que no conjunto lembra a da Torre de Belém em Lisboa, como já foi notado por Rafael Moreira (não seria, todavia, casamatada, ou seja, não teria canho neiras abertas nos alçados, uma vez que o seu interior estava dividido em dois pisos sobradados). O que parece evidente é que esta estrutura, adaptada a receber peças de artilharia, só teria lógica funcional antes da construção das muralhas que viriam a limitar o espaço intramuros da fortaleza. Neste primeiro período, está documentada a presença de dois mestres de obras, João da Flandres e Fernão Álvares, por sinal ambos bombardeiros, dois entre muitos, pois trabalhavam vários em simultâneo, tendo a seu cargo diferentes troços, para celeridade da obra. Há autores que associam os trabalhos desta fase à orientação de Tomás Fernandes, o arquiteto militar que concebeu a primeira rede de fortificações da Índia e acompanhou Afonso de Albuquerque no seu percurso pelo Oriente, merecendo da parte do governador francos elogios, como o de ser "marauilhoso homem" e mais diligente que ele próprio.
Com o abandono forçado dos portugueses em 1508, a obra da torre foi interrompida no primeiro nível. Na sequência, as autoridades locais tomaram posse da torre e acrescentaramna em altura, ficando com dois pisos sobradados e um pátio superior, além de construírem uma muralha separando a fortificação e a urbe, ao mesmo tempo que implementaram outras medidas defensivas provisórias.

Maria de Fátima Rombouts de Barros

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