Igrejas

Igrejas

Hooghly [Hugli/Ugolim/Bandel], Bengala Ocidental, Índia

Arquitetura religiosa

Os mercadores portugueses começaram a fixar‑se em Satgaon, ou Porto Pequeno de Bengala, por volta de 1537. A partir da segunda metade do século XVI, assoreamentos fluviais determinaram o declínio de Satgaon e os portugueses começaram a transferir‑se para Hooghly (atual Hooghly‑Chinsurah), situada a cerca de cinco quilómetros para sul, na mesma margem, e a trinta e oito quilómetros a norte do centro de Calcutá. Aqui floresceu a mais importante povoação portuguesa em Bengala, graças ao firman (concessão) obtido em 1578 pelo mercador Pedro de Tavares junto da corte mogol em Agra. Os casados portugueses de Hooghly mantiveram‑se autónomos da administração do Estado da Índia, apesar de estarem nominalmente sujeitos à autoridade do capitão‑geral de Ceilão. Escolhiam entre si um capitão para a cidade, e apenas na transição para Seiscentos se refere a nomeação de um ouvidor. Por esta altura, a cidade contava com cerca de 5.000 habitantes católicos.
Os missionários agostinhos chegaram a Hooghly em 1599, tendo fundado o seu primitivo Convento de São Nicolau Tolentino na zona do campo da cidade, a cerca de quilómetro e meio a norte do núcleo central. O campo de Hooghli era também conhecido como Bandel, étimo que tem origem no hindi bandar (porto ou cais). Pouco depois, chegaram os jesuítas e edificou‑se uma misericórdia. Em 1632, após um cerco de três meses, a cidade de Hooghli foi conquistada pelos exércitos do império mogol. Durante o cerco, os portugueses incendiaram o convento dos agostinhos, de modo a impedir que fosse usado como posto avançado pelos sitiantes. A hecatombe de Hooghly determinou o fim da preponderância militar e económica dos portugueses em Bengala, mas não o eclipse da sua presença. Em 1633, os missionários agostinhos foram autorizados a regressar a Bandel, tendo recebido para sustento algumas terras doadas pelo imperador mogol. Provavelmente muito próximo ou no mesmo local do convento primitivo, fundaram nova igreja em 1640, consagrada a Nossa Senhora do Rosário, a qual foi ampliada em 1676. Os jesuítas também construíram novo convento em Bandel em 1663.
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário sofreu várias alterações ao longo do século XVIII, tendo sido saqueada em 1756. Em 1820, edificou‑se uma nova dependência a nordeste da igreja, conhecida como
Sala ou Casa de Santo Agostinho. De traça claramente neoclássica, destinava‑se a acolher os peregrinos que rumavam anualmente a Bandel. Em 1897, um terramoto destruiu a torre do lado sul da estrutura. Após essa data, a igreja foi alterada e ampliada por diversas vezes. Essas intervenções sucessivas descaracterizaram a traça portuguesa de origem.
Tradicionalmente, esta igreja é considerada a primeira estrutura cristã fundada em Bengala, permanecendo o mais importante local de peregrinação da região, sendo a imagem de Nossa Senhora de grande devoção.
A missão dos agostinhos em Bandel teve um desenvolvimento significativo sob o domínio territorial inglês em Bengala, a partir da segunda metade do século XVIII. Graças à gestão e aquisição de propriedades em redor de Bandel e ao desenvolvimento e apoio da comunidade de portugueso‑descendentes, várias outras igrejas foram fundadas na região de Hooghly/Calcutá, entre as quais se destaca a Igreja da Madre de Deus, de Serampor (1783) e a de Jesus, Maria e José, em Chinsurah (1740). A atividade missionária dos agostinhos decorria ainda a bom ritmo quando a supressão, em 1835, das ordens religiosas na Índia obrigou ao encerramento da missão e à transferência da administração das igrejas para a diocese de São Tomé de Meliapor.

Loading…