Palácio Episcopal

Palácio Episcopal

Kollan [Coulão/Quilon], Kerala, Índia

Habitação

A construção de um palácio episcopal em Coulão está relacionada com o facto de o bispo de Cochim, com a invasão dos holandeses em 1661, e na tentativa de manter a jurisdição da sua diocese (que na altura se estendia por toda a Costa do Malabar, até ao Cabo Camorim), ter sido obrigado a sair da cidade, optando por residir em Coulão. De construção tardia, remontável aos finais do século XVIII ou inícios do século XIX, a importância e significado deste palácio no conjunto do património arquitetónico de influência portuguesa emerge pela permanência de uma tipologia indo‐portuguesa que, ensaiada ao longo do século XVII, se vai alastrando a várias zonas do sul da Índia e aí manteve uma larga posteridade. No seu programa arquitetónico, o palácio apresenta‐se com dois pisos, sendo a fachada principal rasgada por uma vasta varanda de colunas, repousando sobre uma galeria de fortes pilares quadrados, em sintonia com as grandes casas paroquiais. O palácio acusa, porém, uma maior grandiosidade, sendo natural que reproduza elementos programáticos do destruído Palácio Episcopal de Cochim. Na estrutura interior, o palácio desenvolve‐se à volta de um vasto pátio quadrado, desenrolando‐se no piso térreo as atividades administrativas afetas à gestão da diocese. O corpo residencial do palácio, ladeado por uma capela, recolhe‐se sobre um terreiro de entrada envolvido por altos muros. Estes muros, autonomizando o corpo residencial da capela, separam o público do interior do palácio, onde o acesso à capela é realizado pelo andar nobre, numa clara hierarquização de funções e espaços. A fachada da capela apresenta uma composição dividida por tramos verticais marcados por pilastras, acusando um programa de inspiração maneirista de que a Igreja de São Sebastião de Charava, a norte de Coulão, constitui um derradeiro exemplo. De planta retangular, com arco cruzeiro de acesso ao altar‐mor, a capela mantém um retábulo em talha dourada acusando uma feitura tardia, já do século XIX, ao apresentar uma composição de tradição portuguesa tardo‐barroca.

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