Forte

Forte

Kayts [Cais/Tanadiva], Província do Norte, Sri Lanka

Arquitetura militar

Kayts é o nome de uma ilha fronteira à cidade de Jaffnapatnam (Jaffna), no extremo norte do Sri Lanka. O nome parece remontar ao topónimo português "Ilha do Cais" ou "Cais dos Elefantes", o qual remete para o tradicional comércio dos paquidermes de Jaffna para a Índia. Durante o período holandês (1658‐1796) a ilha foi ainda denominada Leiden, adquirindo o nome atual com a dominação britânica (1796‐1947). Ali existiu um porto chamado Uraturai, que desempenhou um papel importante na civilização de Polonnaruwa (séculos X‐XIII). Na parte menos povoada da ilha, perto da sua ponta ocidental, encontram‐se atualmente as ruínas, relativamente bem conservadas, de uma pequena fortaleza que aparenta ser do período português. Conservam‐se três lanços de muralha daquilo que foi uma estrutura quadrangular. Os restos das muralhas elevam‐se até cerca de três metros de altura, tendo sido construídas em aparelho de dimensões pequenas-médias, de tipo irregular. Os dois lanços perpendiculares à linha da água, geralmente bem conservados, encontram‐se pontualmente destruídos por uma estrada em terra batida, a qual atravessa a antiga estrutura em paralelo ao mar. O lanço que liga estes dois panos na parte do interior da ilha está coberto de vegetação. O pano de muralha fronteiro à água, por sua vez, encontra‐se inteiramente desmantelado, sem traços visíveis de derrube. Notam‐se no chão estruturas em pedra que poderão corresponder às suas fundações. A corresponderem à "fortalesa do Cais" do período português, da qual existe um desenho de 1638 da autoria de Constantino de Sá de Miranda, as ruínas não apresentam restos visíveis do baluarte ocidental que, provavelmente, se teria situado em posição fronteira ao mar. Notam‐se, no entanto, os possíveis restos de algo que poderá ter sido o baluarte oriental, também junto à linha da água. A posição da fortaleza encontra‐se ainda especificada num pequeno mapa do mesmo álbum, assim como noutro documento, de 1624 (Códice de Madrid) em local correspondente à situação dos atuais vestígios. É sabido pelas fontes portuguesas que uma pequena fortaleza foi de facto construída neste local da "Ilha do Cais" em 1629, a expensas de Miguel Pereira de Sampaio, em contrapartida pela doação régia da vizinha Ilha de Karaitivu. Esta iniciativa vinha no âmbito de um movimento mais vasto para a fortificação do litoral ceilonês com o qual os portugueses tentaram, na década de 1620, isolar o reino interior de Kandy e consolidar a sua presença face aos novos desafios euro‐ peus. A ideia inicial havia sido de transferir o quartel‐general português do reino de Jaffna da cidade homónima para a Ilha do Cais, por razões de ordem estratégica. No entanto, com a construção das fortificações de Jaffna (1629‐1632), este plano tornou‐se obsoleto. A partir daí, a fortaleza do Cais serviria em teoria para defender o acesso marítimo a Jaffna. No entanto, a sua utilidade sempre foi considerada discutível, levando ao abandono em 1651. As fontes referem, em consequência, a demolição de estruturas, o que parece ter sido parcial, a avaliar pelos restos atualmente visíveis. Derrubou‐se apenas a face marítima do edifício, sem a qual este se tornava inútil. Junto ao forte teriam existido uma pequena povoação e uma igreja, dos quais hoje nada subsiste.

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