Forte

Forte

Negombo [Negumbo], Província Ocidental, Sri Lanka

Arquitetura militar

Negombo é uma cidade de população maioritariamente católica situada cerca de trinta quilómetros a norte de Columbo, no litoral ocidental do Sri Lanka. Um primeiro forte português foi aqui construído em meados da década de 1590 por Lourenço Teixeira de Macedo, a mando de Jerónimo de Azevedo, primeiro capitão‐geral de Ceilão. A estrutura original terá sido concluída em 1597 ou mesmo antes, servindo para defender o acesso a uma zona rica em canela (Pitigal, Beligal e Alutkuru). Macedo recebeu a capitania vitalícia de Negumbo e manteve a posição com uma pequena tropa de quinze a vinte portugueses auxiliados por lascarins, à custa dos impostos portuários e das aldeias associadas à fortaleza.
Perto do forte viviam menos de uma dezena de casados com as respectivas famílias. A estrutura foi mantida e consolidada sob o comando de Lourenço Teixeira de Macedo, sendo considerada apta para a defesa do litoral na década de 1620, período de grande reestrutração das defesas portuguesas em Ceilão. Era quadrangular ou romboide, mas possuía apenas três baluartes (Nossa Senhora da Vitória, Espírito Santo, São Lourenço), guarnecidos com algumas peças de artilharia pequena. O canto destituído de baluarte, de ângulo mais aberto, ter‐se‐ia situado, segundo um desenho de 1638, a oeste, mirando a foz do rio. É próximo dessa foz, em lugar que corresponde à situação dos vestígios hoje preservados, que o forte se encontra representado nos desenhos portugueses e holandeses do século XVII.
O Forte de Negombo foi tomado pelos holandeses em 1639, sendo reconquistado pelos portugueses no ano seguinte e submetido a obras de melhoramento, mas novamente perdido em 1644. Durante o período holandês, fizeram‐se repetidas obras (por exemplo, em 1678 e em 1717‐1720) que, no entanto, não alteraram a configuração original do forte até à conquista inglesa (1796). Negombo terá talvez sido uma das estruturas portuguesas menos alteradas durante o período holandês, junto com Batticaloa. Já sob domínio britânico, foi em grande parte desmantelado, aproveitando‐se o lugar e os materiais para a construção de uma prisão, ainda em funcionamento. Deixou‐se de pé, no entanto, um troço de muralha correspondente ao pano oriental, estando os restos dos baluartes quase irreconhecíveis nas suas extremidades. A meio deste pano resta uma entrada com dois arcos em tijolo, que poderá remontar ao período português, ainda que uma inscrição aí existente se refira às obras holandesas de 1678.
É de mencionar ainda a existência em Menikaddawara, perto de Negombo, de um forte português, do qual Tikiri Abeyasinghe na década de 1960 ainda referiu os restos em terra compactada, junto com uma pedra lavrada com as armas de Portugal. Em Mottapuliya, H.C.P. Bell encontrou na década de 1910 os restos de uma tranqueira que poderá remontar ao período português. Por fim, R. Raven‐Hart refere um forte em Holombuwa.

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