Hospital da Misericórdia

Hospital da Misericórdia

Ribandar, Goa, Índia

Equipamentos e infraestruturas

O Hospital da Misericórdia de Goa funcionava junto ao rio, na estrada que levava à velha cidade de Goa, entre Ribandar e São Pedro. Era também designado por Hospital de Todos‐os‐Santos e de Nossa Senhora da Piedade, nome que surgiu da fusão, em 1705, do Hospital de Todos‐os‐Santos, fundado pela Misericórdia em 1547, e do Hospital de Nossa Senhora da Piedade, instituído pelo Senado de Goa e entregue à Santa Casa em 1681. Hoje, o seu edifício encontra‐se ocupado pelo Goa Institute of Management. Neste mesmo local existiu uma casa particular onde, desde 1849, funcionava o hospital. Por essa época foram feitas algumas obras, mas sem introduzir alterações radicais ao existente. Desconhece‐se se outras reformas foram feitas entre essa data e o início do século XX. O edifício que hoje existe foi inaugurado no final de 1905, altura em que o hospital foi completamente reformado, não havendo vestígios da construção preexistente, que apenas se conhece através dos desenhos de Lopes Mendes. O autor do novo edifício, da capela anexa e, supõe‐se, do edifício da farmácia que também lhe está anexo, foi Augusto Lobato Faria, engenheiro pertencente aos quadros das Obras Públicas. Não se sabe se terão sido aproveitadas paredes ou fundações, mas o edifício e a capela mantiveram aproximadamente a mesma implantação que os seus antecessores. A fachada principal é tripartida de inspiração clássica, com arcadas de ferro que sustinham uma varanda, a qual se abria sobre o rio e unia os três corpos mais fechados com janelas de sacada. A fachada é simétrica relativamente à entrada e supõe‐se que o edifício também o fosse. A construção é sobrelevada relativamente à estrada por onde se faz o acesso principal, sendo assim resolvida a diferença de cotas com a parte de trás. Originalmente a parte central tinha dois pisos e os corpos laterais um, sendo possível ainda ver a cornija onde rematavam com o telhado e que atualmente separa os dois pisos existentes. Desconhece‐se a data exata desta alteração, mas é anterior à década de 1950. O interior do edifício organiza‐se ao longo de um corredor, que o atravessa no sentido longitudinal. Os acessos verticais são feitos na zona da entrada. O alçado posterior, com varandas corridas, tem diversos anexos que tornam difícil uma leitura do que seria originalmente. É possível que dois desses volumes, existentes na zona central, sejam da mesma época do edifício, ou pouco posteriores. Para além da construção principal existe uma construção do lado nascente, também sobrelevada relativamente à estrada, que tinha uma varanda, hoje muito alterada, para lado do rio. Existem ainda outras construções na parte posterior do edifício, que se organizam na encosta em diversos patamares. Sabe‐se através de fontes escritas que, em 1903, foi construído num anexo ao edifício principal um albergue para acolhimento, com capacidade para doze pessoas de ambos os sexos. Mais tarde, em 1911‐1912, acrescentaram‐se uma enfermaria para hindus e um Instituto de Análises. Em 1917‐1918 foi construído um edifício para a tipografia. É provável que correspondam ao volume de dois pisos, do lado poente, perpendicular ao edifício principal e ao conjunto de construções de um piso, situadas num primeiro patamar e que se organizam em torno de um jardim. Existem outras construções em patamares superiores, mas estas parecem ser mais recentes. A completa transformação do edifício do Hospital da Misericórdia segue as opções que se tomavam na Direção das Obras Públicas, no final do século XIX, uma vez que este tipo de intervenção era comum. Ressalta o cuidado posto no seu desenho.

Alice Santiago Faria

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