Leprosaria Central de Goa

Leprosaria Central de Goa

Macassana, Goa, Índia

Equipamentos e infraestruturas

A Leprosaria Central de Goa Dr. Froilano de Melo localiza‐se num planalto, numa área com cerca de dezoito hectares perto da aldeia de Macassana, em Salcete. A primeira referência conhecida à criação de uma leprosaria central data de fevereiro de 1916 quando, encarregue pelo governo de apresentar um projeto para a sua edificação, Alberto Germano Correia submete a sua proposta para apreciação. Apontava a criação de um hospital‐colónia agrícola, organizado por pavilhões isolados, baseada no modelo já experimentado no norte da Europa e defendido na 2.a Conferência Inter-nacional da Lepra em 1910. Porém, foi somente em 1926 que, por iniciativa de Froilano de Melo, se organizou um congresso para discutir e tentar resolver o problema da lepra no Estado da Índia. Das suas conclusões surgiu a hipótese de criação de uma leprosaria. À comparticipação estatal juntaram‐se instituições de caridade, e pelo empenho pessoal de Froilano de Melo angariaram‐se fundos através de subscrições públicas, de festas e de um vasto conjunto de atividades. Em fevereiro de 1932, foi benzida a capela e feita uma primeira inauguração, tendo as cerimónias oficiais decorrido a 28 de maio de 1932. Nessa data a leprosaria era composta por três pavilhões‐enfermarias e a capela, estando em construção pavilhões‐quarto. Separavam‐se os doentes. Por sua vez, a área que lhes era destinada dividia‐se em duas zonas: uma feminina e outra masculina. Em 1937, o conjunto já era composto, na parte infetada, por sete pavilhões‐enfermaria e dois pavilhões‐quarto. A parte masculina era composta por três pavilhões, cada um deles com capacidade para vinte e quatro camas, um pavilhão com capacidade para seis camas para hindus, e dois pavilhões‐quarto, com capacidade máxima de dois doentes. A parte feminina era composta por três pavilhões, com capacidade para dezoito camas. Num pavilhão separado havia ainda uma cozinha e casas de banho. Os doentes eram também divididos conforme o estado da doença e os cuidados que necessitavam. Na zona sã havia um pavilhão residencial para o médico e outro pessoal, existindo também aí gabinetes de trabalho, três pavilhões pequenos para habitação de serventes, um depósito para alimentos e medicamentos, a capela e a residência para o capelão. Havia ainda um templo hindu, uma sala de cirurgias, um laboratório e continuaram a ser construídos pavilhões até meados da década de 1950. A leprosaria dispunha ainda um cemitério próprio e, segundo um testemunho oral, teve também um crematório. Todos os doentes com condições físicas para trabalhar faziam‐no, na cozinha, no tratamento de roupa, no trabalho agrícola, nos diversos jardins ou ainda na construção de estradas e dos restantes pavilhões da leprosaria. Fizeram‐se igualmente grandes esforços no sentido de arborizar os terrenos. Hoje em dia uma parte das estruturas construídas desapareceu, mas as que permanecem dão uma ideia do que seria o conjunto. Mantêm‐se os caminhos abertos ao longo da propriedade densamente arborizada e quatro núcleos de construções. No primeiro núcleo, que se encontra quando se chega à propriedade vindo da estrada que liga Curturim a Macassana e que correspondia à zona sã, pode ver‐se o edifício que era ocupado pelos serviços da leprosaria e onde ainda funcionam os serviços administrativos; existem igualmente diversos edifícios construídos na década de 1980. Percorrendo a propriedade para sul, encontra‐se um segundo núcleo onde existe um pavilhão em ruínas, o qual, segundo testemunho oral dos funcionários, era um salão de festas, uma antiga enfermaria além de duas enfermarias, uma de homens e outra de mulheres, construídas no início dos anos 1980, ainda em funcionamento. Na parte de trás da enfermaria de mulheres existe um templo hindu, de construção recente, uma vez que o antigo, situado no cimo do monte, desapareceu. Junto a este núcleo a estrada bifurca: por um lado dirige‐se ao cemitério, por outro à zona da capela, onde se encontra o terceiro núcleo de construções, que incluía a residência do capelão, a qual entretanto desapareceu; mantém‐se em funcionamento o pavilhão da cozinha. Em frente à capela existia um jardim. O quarto núcleo de construções é composto por três pavilhões‐enfermaria, que se pensa corresponderem aos três pavilhões principais da zona masculina, localizados a diversos níveis na encosta. Os edifícios encontram‐se encerrados mas ainda em estado razoável de conservação. São todos semelhantes, constituídos por uma sala ampla onde era a enfermaria, e uma sala de tratamentos junto à entrada. Os outros organizam‐se de um modo semelhante: no centro a enfermaria, ampla; num dos topos, junto à entrada, uma sala que funcionava ora como sala de tratamentos, ora como sala de isolamento para casos mais graves; no outro topo, situam‐se casas de banho, que devem ter sido acrescentadas posteriormente; no exterior, num segundo volume, com ligação pela enfermaria, funcionava a cozinha e um quarto cujas funções variavam. O cuidado posto na ventilação do espaço é evidente, sendo a parte superior do telhado elevada de modo a haver ventilação constante na enfermaria e existindo varandas em três das fachadas para onde se abria a enfermaria através de diversas portas. Pelo número de edifícios construídos ou reconstruídos no início da década de 1980, conclui‐se que o governo indiano fez, nessa época, um esforço sério de revitalização da leprosaria. No entanto, a mudança de estratégia no tratamento dos doentes, que hoje são preferencialmente tratados em casa, faz com que o número de utentes seja muito reduzido.

Alice Santiago Faria

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