Fortes

Fortes

Mahim-Kelve (Maim, Quelme), Guzerate, Índia

Arquitetura militar

Na faixa costeira de cerca de oito quilómetros entre os rios Mahim - a norte - e Quelme, permanecem os vestígios de pelo menos quatro fortificações: duas do período português e duas de origem incerta, mas com inegável aparência europeia. A norte do Rio Quelme tinha início a praganá de Mahim‐Quelme, parte integrante do distrito de Damão, incorporado no Estado da Índia a 1559. Mahim exportava bate (arroz com casca) e outros produtos agrícolas, sendo uma das áreas do distrito de Damão com maior presença portuguesa. Como praticamente todos os territórios da Província do Norte, esta praganá foi conquistada pelos maratas durante o conflito de 1737‐1739. Precisamente na embocadura do Rio Quelme situa‐se um baluarte de mar, conhecido localmente como Forte de Panikota ou Panbhurj. Poderá tratar‐se de uma estrutura marata construída após 1737 ou uma edificação de origem portuguesa construída após 1635, e abandonada pouco depois. De qualquer forma, a morfologia geral da fortificação evoca claramente os baluartes ribeirinhos de origem portuguesa, sendo também possível tratar‐se de uma iniciativa marata delineada por um português. Tendo por função principal defender a entrada do rio, o baluarte compõe‐se com um torreão de planta triangular do lado oeste e um corpo retangular mais baixo do lado de terra, contendo várias posições para artilharia. Ainda na margem norte da barra do Rio Quelme, estão as ruínas de uma torre ou reduto quadrado com posições de artilharia e um perímetro murado, possivelmente os vestígios de uma casa senhorial fortificada. Anexa a esta estrutura encontra‐se a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, uma construção recente implantada sobre as ruínas de uma igreja portuguesa. Cerca de dois quilómetros a norte da foz do rio, nas dunas da praia, situa‐se outra estrutura. Consiste num pequeno forte quadrado com baluartes salientes nos cantos, e está relativamente bem preservado. O desenho dos baluartes aponta a data desta construção para meados do século XVIII. Apesar de não se conhecer documentação histórica que esclareça a origem desta fortificação, o seu desenho revela uma inequívoca mão europeia, pouco comum à generalidade da arquitetura militar indiana. A localização da fortificação poderá relacionar‐se com a prevenção de um ataque anfíbio. Em redor e dentro do forte existe um denso arvoredo de casuarinas e o nível do solo está elevado cerca de metro e meio. Aproximadamente a seis quilómetros deste local, continuando para norte, situam‐se as ruínas do Forte de Mahim. Implantado na margem sul da embocadura do pequeno rio com o mesmo nome, o forte defendia a importante povoação de Mahim, onde residiam os foreiros da praganá de Mahim‐Quelme. Por volta de 1635 totalizavam cinquenta famílias. Moravam ainda em Mahim cento e cinquenta cristãos indianos e duzentos escravos capazes de pegar em armas. Para além de uma igreja do clero secular, havia em Mahim uma casa da Misericórdia e ainda uma igreja pertencente aos dominicanos. Ainda não foi possível determinar onde estas se situavam. Uma talvez estivesse onde hoje existe o templo hindu de Mahakali, junto à porta sul do forte português. Este encontra‐se bastante arruinado, mas evidencia ainda baluartes com posições de artilharia, parapeitos e várias estruturas de dois pisos. O relatório de André Ribero Coutinho de 1728 descreve a fortificação como tendo três baluartes virados para oeste e norte e quatro redutos voltados para terra a este. Estava guarnecida com quinze peças de artilharia e as muralhas em mau estado, eram insuficientes e todo o seu valor defensivo estava posto em causa pelo casario que se apegava ao forte do lado sul. Coutinho refere ainda a existência de uma tranqueira dependente de Mahim, a pouca distância para o interior da praganá. Apesar das condições debilitantes, o Forte de Mahim opôs determinada resistência ao assalto marata de 1739, sendo uma das últimas posições a render‐se antes da queda de Baçaim.

Sidh Losa Mendiratta

Loading…