Liceu Dr. Francisco Machado

Liceu Dr. Francisco Machado

Díli, Díli, Timor

Equipamentos e infraestruturas

Embora criado por decreto governamental de 22 de janeiro de 1938 e instituído no ano seguinte pelo governador Álvaro da Fontoura (1937‐1940) visando habilitar os timorenses de um nível de escolaridade suficiente para poderem integrar os serviços menores da Administração Pública, o ensino liceal só seria estabelecido em Timor em 1952, consequência da perturbação causada no território pela invasão japonesa no decurso da Segunda Guerra Mundial.
O liceu, batizado com o nome do ministro das colónias responsável pela decisão da sua criação, foi instalado no antigo edifício da Escola Municipal de Díli, imóvel construído no primeiro quartel do século XX, um dos muitos que não escapou à destruição causada durante a Guerra. Entretanto reabilitado, abriria portas em inícios da década de 1950 para receber os primeiros alunos. Na sequência do aumento do número de alunos do ensino liceal, ocorrido sobretudo na década de 1960 - resultado quer do desenvolvimento económico que a província então conhece, quer da política de fomento da educação promovida pelo governo português nos territórios ultramarinos - o liceu de Díli, entretanto elevado à categoria de Liceu Nacional, seria ampliado com uma nova construção.
O edifício original da escola municipal apresenta traça clássica ao modo goês, com arcada para galeria protegida por balaustrada, pilares com capitel à nascença do arco de volta inteira, pilastras de secção semi‐circular na face da fachada exterior, com capitel ao modo coríntio batendo no friso da cornija sob a cimalha alta. Dispõe de escadaria larga em tronco piramidal, situada a eixo da entrada principal, assinalada por frontão de forma flamejante ao sabor oriental. O edifício é caiado a branco sem emoldurados de destaque em socos ou guarnecimento de vãos, exceto nos paramentos interiores da galeria, em que a caixilharia e o guarnecimento dos vãos em alvenaria apresentam destaque e unidade cromática, a caixilharia em tons de madeira escura, o guarnecimento imitando pedra castanha-avermelhada.
Da primeira campanha de obras, de que resta apenas registo fotográfico, o edifício manteve a estrutura arquitetónica, perdendo o branco da cal e a grande depuração no ornato, substituídos pelo cromatismo em socos, capitéis, guarnecimento de vãos, cimalha e pilastras, resultando uma obra mais canónica e conforme à regra compositiva emanada da metrópole, com frontão de rigor geométrico perdendo um certo ar goês, resultando a obra mais aportuguesada e com influência cromática de Macau. Após a invasão indonésia, em 1975, o liceu deixaria de ser utilizado como estabelecimento de ensino.
Destruído por ação das milícias integracionistas em 1999, o Liceu Dr. Francisco Machado seria reconstruído em 2001 pela Câmara Municipal de Lisboa. Mantendo as características arquitetónicas ao nível da fachada, o imóvel sofreu profundas remodelações interiores por forma a albergar a Faculdade de Ciências da Educação de Timor Leste, devolvendo‐o à função de espaço de ensino e conhecimento.
Nesta segunda campanha de obras, a cimalha foi substituída por beirado à portuguesa, a balaustrada por soco escuro com pilastras emolduradas e desapareceram os capitéis à nascença do arco da galeria, com capitéis paralelepipédicos ao friso, que perdeu a unidade no entablamento e passou a enfeite sob o beirado em telha.

Edmundo Alves

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