Ermida de São Jerónimo e Seminário

Ermida de São Jerónimo e Seminário

Chorão, Goa, Índia

Arquitetura religiosa

A pequena Ermida de São Jerónimo de Chorão, de planta circular, recentemente (2007) libertada da selva que a escondia e intervencionada com intuitos de reintegração, é o único vestígio construído de um dos maiores complexos edificados em Goa no tempo do Estado da Índia: o Seminário de Chorão. Depois da reintegração, a ermida mostra ‑se como um pequeno cilindro de alvenaria de pedra, coberto por um telhado com um lanternim cego e rodeado por um alpendre poligonal de oito pilares nos ângulos. Uma gravura no livro de Lopes Mendes mostra o Seminário como ainda se podia ver em meados do século XIX. A gravura corresponde a um desenho gravado com compressão e distorção (como sucedeu a quase todos os que estão incluídos no livro), a que acresce o facto de se encontrar invertido - o que também sucede com vários outros na mesma publicação. Apesar disso, constitui uma das mais impressionantes ilustrações da obra. Olhamos para esta representação de um dos mais vastos e complexos conjuntos edificados erguidos pelos europeus na Ásia primo ‑moderna, e, ao visitar o local, não há nada: apenas uma pacífica encosta virada a poente e a norte, coberta de matagal, e lá no alto, o telhado e os pilares da capela, agora resplandecentes de cal. Aqui e ali, no meio do mato, vestígios de alguns degraus, a hipótese de um pano de muro derruído. O seminário, criado pelos jesuítas na década de 1570 e transformado em Seminário Episcopal com a extinção da Companhia, foi fechado um século depois, em 1859, pelo então governador, o conde de Torres Novas, após cinquenta anos de descrédito e abandono provocados - ao que dizem as fontes - pelas epidemias que devastaram Chorão, provavelmente o paludismo. Depois, a pedra aparelhada e a pedra ornamentada foram pilhadas, vendidas e reutilizadas um pouco por toda a parte em Goa, e o Seminário desapareceu até às fundações. A gravura feita a partir de Lopes Mendes exagerava já a escala da Ermida no alto da colina. Agora, está completamente desprovida de contexto: ergue ‑se no meio do verde, solitária, visível desde a foz do Mandovi. É possível que tivesse sido construída antes do seminário, quando o bispo jesuíta João Nunes Barreto estabeleceu a sua quinta no sítio, em 1558. A dedicação de ermidas palatinas e rústicas ao santo eremita e doutor da Igreja São Jerónimo era tradicional na aristocracia portuguesa, e o meado da década de 1550 foi tempo de cultura humanista nos meios cortesãos da Velha Cidade. A gravura do livro de Lopes Mendes e uma descrição de Cottineau de Klogen no início do século XIX lançam dúvidas sobre o pórtico agora reintegrado. Lopes Mendes mostra, e Cottineau descreve, colunas e não pilares. Vivendo na idade do neoclassicismo, Cottineau refere a ermida como um tholos "com uma cúpula elegante a pilares gregos suportando o edifício dando ao conjunto, à distância, a aparência de um cenário verdadeiramente da Grécia", uma evocação que pode ter influenciado o modo como Lopes Mendes, algumas décadas depois, desenhou a ermida, porque em 1927, um século depois de Cottineau, o padre Gabriel de Saldanha refere "pilares de estilo grego" (pilares, não colunas), informando embora que a ermida tinha sido restaurada em 1901 pelo então proprietário do sítio.

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