Igreja Matriz de Santo António

Igreja Matriz de Santo António

Tiradentes, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

É provável que a primeira Capela de Santo António, erguida pelos fundadores do arraial, já funcionasse como igreja matriz em 1710, data em que foi oficialmente criada a Irmandade do Santíssimo Sacramento. Em 1732, os irmãos enviaram uma petição à coroa portuguesa, pedindo auxílio financeiro para colocar assoalho e forros na igreja nova que estavam construindo em taipa de pilão, "pela antiga ser de pau‐a‐pique, pequena, e se achar arruinada". O edifício foi erguido sobre uma colina, com um grande aterro na parte dianteira. No ano seguinte já se realizavam as obras de ornamentação interna. Entre 1733 e 1741, o entalhador João Ferreira Sampaio trabalhou no arco‐cruzeiro, no elegante coro, e na capela‐mor. Esta última é inteiramente recoberta de talha dourada, em estilo D. João V, mas com elementos que já denotam influência do rococó, segundo G. Bazin; os dois painéis ovais laterais foram pintados por João Batista em 1737. Os seis altares da nave foram executados antes do altar‐mor, e apresentam uma fatura bem mais grosseira. Em 1752, a igreja já estava pratica‐ mente concluída, pois neste ano o pintor António de Caldas foi remunerado pelos trabalhos de douramento, e talvez seja também o autor da pintura dos forros. Em 1786, a Irmandade do Santíssimo Sacramento encomendou um órgão novo em Portugal; a parte mecânica foi adquirida na cidade do Porto, e o entalhador Salvador de Oliveira foi contratado para desenhar a caixa e trabalhar na talha, que em 1798 recebeu pintura e douramento executados por Manoel Victor de Jesus. O forro apainelado e trifacetado da nave apresenta pintura em tons de verde, ocre e ouro, de autor desconhecido. Segundo G. Bazin, no início do século XIX, o frontispício original, executado por volta de 1750, estava "fora de moda", e em 1810 o mestre Aleijadinho - já bastante debilitado pela doença - recebeu dez oitavas de ouro para elaborar um novo risco. Porém, o artista se contentou em modificar a parte superior da fachada, ou seja, as torres e o frontão - propondo uma "estilização neoclássica do frontão enconcheado" da igreja franciscana de São João del‐Rei. Ao contrário do que se pensava até há pouco tempo, o risco da portada, datado de 1807, não foi feito pelo Aleijadinho, e sim pelo entalhador Salvador de Oliveira, como comprovam fontes documentais recentemente identificadas. Cláudio Pereira Viana foi o mestre encarregado da obra do frontispício (em taipa, tijolos e argamassa, inclusive os ornatos rococó), assim como da execução da escadaria e da balaustrada do adro (1818‐1820). O relógio de sol em pedra‐sabão - que se tornou um símbolo da cidade - foi executado em 1785, por Leandro Gonçalves Chaves. A igreja foi classificada em 1949, e passou por diversas restaurações nas décadas seguintes.

Cláudia Damasceno Fonseca

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