Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

Serro, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

Antes do edifício atual, construído em madeira, taipa e adobes, existiram uma ou duas capelas provisórias. A primeira era uma construção modestíssima, coberta de palha, e ainda estava de pé por volta de 1720, segundo um registo de batismo. Há poucos dados sobre a construção do templo definitivo. Algumas referências documentais mencionam donativos para a obra, efetuados em diferentes épocas (1776, 1796 e 1799). Sabe‐se também que, em 1792, ajustaram‐se com Bartolomeu Pereira Diniz alguns "reparos no retábulo da capela‐mor e outros serviços necessários, tudo pelo seu risco". No entanto, em 1793, decidiu‐se reconstruir a capela, ao invés de consertá‐la. O relatório de uma visita pastoral mostra que a ornamentação interna avançou a passos lentos: em 1821, o bispo de Mariana notara que a igreja era grande, com cinco altares, mas estava ainda "desprovida de tudo", tendo como ornato apenas "a boa imagem da padroeira", colocada num "retábulo de talha pouco agradável", ainda sem pintura e douramento; na nave, os altares estavam "todos por acabar". Em 1825, as outras igrejas e capelas da vila tinham "mais decência que a igreja matriz", pois esta ainda não dispunha de forros, o piso em campas estava "muito mal seguro e bastante destruído", e a sacristia, "muito falta de ornamentos, tanto para o comum quanto para os dias festivos". Além disso, a igreja não tinha adro nem cemitério, "sepultando‐se os corpos na passagem pública". Em 1843, Severo Sebastião Gouveia foi contratado para executar o risco das torres e frontispício que havia sido apresentado por João Meyer. A fachada é semelhante à das outras igrejas do Serro, com telhado em duas águas, empena com óculo envidraçado, duas torres de secção quadrada, cada uma com sua janela, alinhada com as do coro e porta única central, com verga curva. Internamente, a capela‐mor, em estilo rococó, tem relevo representando a Santíssima Trindade; a talha é atribuída a Bartolomeu Pereira Diniz e a Francisco Pereira Diniz. A pintura do forro, atribuída a Manuel António da Fonseca, tem no medalhão central a representação da Santa Ceia. Como na Igreja do Carmo, a capela‐mor abre‐se em arcadas para os prolongamentos laterais da sacristia posterior. Na nave, os altares laterais são simples, pintados em branco e dourado; a pintura do forro é posterior a 1825. Na década de 1870, foram realizadas várias reformas. Em 1941, a igreja foi classificada pelo IPHAN, que efetuou obras de restauro no edifício nas décadas de 1950 e 1980.

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