Igreja de São Francisco de Assis

Igreja de São Francisco de Assis

São João del-Rei, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

Em 1741 os irmãos da Ordem Terceira de São Francisco de Assis obtiveram licença para a edificação de uma capela, e no ano seguinte solicitaram à câmara a concessão de terras para o património do edifício religioso, que já haviam começado a erguer, em madeira e taipa. O terreno, cuja doação só foi oficializada uma década mais tarde, era bastante grande, chegando a "entestar com a igreja velha do Pilar", o que possibilitou a demarcação de um amplo adro. Parte deste espaço fronteiriço seria, mais tarde, devolvida à municipalidade, que lhe daria a forma atual, com jardins e alameda de palmeiras. Em 1772, foi aprovada a proposta de construção de uma nova igreja, desta vez em cantaria, "visto se ter gasto tanto dinheiro nesta, e sempre por todas as partes ameaçando ruínas". No ano seguinte, ajustou‐se o serviço de extração e lavragem de pedras; em 1774, a Mesa Administrativa redigiu termo de aceitação do risco "que se tinha mandado fazer a Vila Rica" (Ouro Preto), sem mencionar o autor. No entanto, documentos posteriores atribuem‐no ao Aleijadinho, cuja participação na feitura de diversos elementos da igreja é mais que comprovada. A execução do risco coube ao talentoso Francisco de Lima Cerqueira, natural do arcebispado de Braga, que a Ordem também fora buscar em Vila Rica para "ser mestre e administrador das obras da nova capela e para lavrar cantaria debaixo do telheiro". O belo desenho em bico de pena que chegou até nós não foi seguido na íntegra: como era comum acontecer, no decorrer dos trabalhos o mestre‐de‐obras fez diversas modificações na traça original, sempre com a aprovação dos mesários. Tais alterações lhe valeram, aliás, muitas críticas na historiografia brasileira, que, influenciada pelo nacionalismo das primeiras décadas do século XX, tendeu a se focalizar nos artistas e artesãos "mulatos" (como o Aleijadinho), ignorando ou menosprezando a colaboração decisiva dos construtores portugueses. O desenho das torres circulares com varandins no coroamento, o gracioso feitio dos óculos e janelas laterais, a própria planta do edifício com nave elíptica sinuosa, capela‐mor alongada e sacristia lateral e o novo desenho da portada, concebido e executado em colaboração com o Aleijadinho, foram algumas das modificações que resultaram do génio, sensibilidade e perícia de Lima Cerqueira. Diversos elementos da capela‐mor datam do período 1781‐1784: retábulo, executado pelo entalhador Luís Pinheiro, forro, barrete, "guarnições" e outros ornamentos. Em 1808, faleceu Francisco de Lima Cerqueira; para substituí‐lo, foi contratado um discípulo local, Aniceto de Souza Lopes, que dirigiu o restante dos trabalhos (frontão, arco do coro, etc.). Em 1837 foi ajustada a execução do último altar; os pilares e a balaustrada de pedra do fechamento do adro só foram concluídos em 1885.

Cláudia Damasceno Fonseca

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