Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Igreja de Nossa Senhora do Carmo

São João del-Rei, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

A Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo já existia em 1727, congregando‐se diante de um altar da Matriz do Pilar. Em 1732, foi feita uma petição para a construção de capela própria, que foi erguida no mesmo local onde hoje se situa a igreja. Em 1759, iniciou‐se um longo período de reformas; neste ano o edifício sofreu uma primeira ampliação, e em 1787, ajustou‐se o projeto para um templo de maiores dimensões, com Francisco de Lima Cerqueira - que foi igualmente encarregado das obras da Igreja de São Francisco de Assis, na mesma localidade. Nota‐se, aliás, que na fachada do Carmo o mestre‐de‐obras repete os elementos básicos utilizados em São Francisco, mas introduz modificações substanciais nas torres (feitio dos bulbos, supressão dos varandins). Já a secção "oitavada" das mesmas, cujas arestas "cortam" as janelas ao meio, não estava no projeto original do mestre português, mas resulta de uma transformação posterior do seu risco, para que ficassem "mais vistosas e engraçadas", segundo decisão da Mesa da Ordem, que parece ter contado com a aprovação do arquiteto. A portada, executada entre 1787 e 1794, é fruto de uma das várias colaborações entre Lima Cerqueira e Aleijadinho; a composição inclui pilastras e fragmentos côncavos de entablamentos, que podem ser associados a outros exemplares mineiros como as portadas do Carmo de Ouro Preto ou São Francisco de São João del‐Rei, e incorpora esculturas e relevos de um terceiro artista, supostamente o entalhador Manoel Rodrigues Coelho, autor da talha do retábulo e dos púlpitos da mesma igreja, no período 1768‐1773. Internamente, o Aleijadinho também executou as belas esculturas de anjos segurando cartelas com inscrições, e o medalhão com a figura da virgem. Para John Bury, esta igreja foi a última e a mais interessante de uma série de obras de "transição da versão local do maneirismo para o rococó"; há, porém, alguns traços que parecem indicar um "retorno" ao estilo anterior, caracterizado pela "linearidade ortogonal e pelo despojamento da ornamentação externa". Certamente devido a dificuldades financeiras, em 1800 a irmandade deliberou a paralisação das obras, que só foram retomadas treze anos depois. Só então foram finalizados o corpo da igreja, a capela‐mor e as torres. O atual frontão, que o historiador da arte Germain Bazin considerou "pesado e com recortes inúteis", foi erguido a partir de outro risco, realizado após a morte do arquiteto Lima Cerqueira. Em 1816, o frontispício estava praticamente concluído, mas a execução dos acabamentos internos (assoalhamento da nave, engradamento da capela‐mor, feitura de altares laterais) se estenderia pela segunda metade do século XIX, e somente no século XX seriam concluídas as sacristias e galerias laterais.

Cláudia Damasceno Fonseca

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