Igreja de Nossa Senhora de Santana do Sacramento

Igreja de Nossa Senhora de Santana do Sacramento

Chapada dos Guimarães, Mato Grosso, Brasil

Arquitetura religiosa

Em 1778, o juiz de fora de Cuiabá e ouvidor da capitania do Mato Grosso, José Carlos Pereira, constatou o mau estado da Capela de Santa Ana do povoado dos Guimarães, e decidiu construir uma nova igreja. Em 31 de julho de 1779, a igreja foi benta pelo vigário José Correia Leitão, que rezou a primeira missa. As imagens de Sant’Ana, Santo Inácio de Loyola e São Francisco Xavier foram transladadas da capela da Aldeia Velha para ali. No mesmo ano, o governador Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres comunicou à corte que a igreja tinha sido feita "com bastante magnificência e asseio para estas terras". Em 1784, os moradores do local pediam paramentos para celebrarem missa na Matriz, afirmando que embora a capela‐mor tivesse ruído durante a construção, fora reerguida e a igreja encontrava‐se concluída. O mesmo documento dizia que a povoação contava "com uma grandiosa propriedade de casas para servir de alojamento aos peregrinos que a ela se dirigiam". Um desenho realizado em 1780 mostra a planta e prospecto das fachadas frontal e lateral da igreja. A planta corresponde a grande retângulo onde se insere a igreja, de nave única e capela‐mor envolvidas por salas laterais, que tem entradas exteriores e onde se deveriam dispor os serviços da igreja. Uma única e ampla nave corresponde ao corpo principal, em cuja fachada, muito simples, se abre uma porta e três janelas no piso superior. O projeto previa as duas torres laterais que se construíram até ao segundo piso, onde se abre uma janela em cada lado. Falta o último lanço dos campanários, o que dota a igreja atual de uma grande horizontalidade. No enfiamento das torres desenvolvem‐se as salas laterais. No interior possui altar‐mor, dois altares laterais à capela‐mor, púlpito e tribunas em talha dourada e policromada e um conjunto de azulejos setecentistas. O seu aspecto simples e robusto lembra as igrejas de Goiás. A igreja foi classificada pelo IPHAN em 1957 e sofreu três grandes intervenções de restauro: uma em 1977, outra entre 1994 e 1996 e a última em 2008.

Renata Malcher de Araujo

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