Igreja Matriz de São João Batista

Igreja Matriz de São João Batista

Barão de Cocais, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

O arraial de São João do Morro Grande foi fundado no alvorecer do século XVIII por bandeirantes que, andando pelo sertão em busca de novas minas de ouro, acharam boas jazidas no sopé de um monte muito extenso. Em torno dali fizeram roças, construíram suas casas e ergueram uma singela capelinha dedicada a São João Batista. Em 1713, o arraial já tinha adquirido uma certa importância, e os moradores resolveram levantar uma capela maior, e coberta de telhas. Em 1749 ela tornou‐se Igreja Matriz, e em 1752 a freguesia foi declarada colativa, sendo seu primeiro vigário colado António da Rocha Pita. Em 1759, foi decidida a construção de um novo templo, em alvenaria de pedra. Segundo o historiador Waldemar de A. Barbosa, a iniciativa coube a Domingos da Silva Maia e ao coronel Manuel da Câmara Bittencourt, ricos senhores de minas. A obra foi arrematada por Manuel Gonçalves de Oliveira e Teodósio Martins. G. Bazin cita um documento da Irmandade do Santíssimo Sacramento, que menciona um pagamento efetuado em 1762 a José Coelho de Noronha "pelo risco que fez para a igreja nova". Mas, como era comum, a Mesa julgou necessário introduzir diversas modificações no projeto, decidindo que "a dita obra do corpo da matriz fosse feita pelo risco novo em que se acham tirados todos os defeitos do primeiro". Como existem referências coevas a respeito do Aleijadinho ter "delineado" a Matriz de Morro Grande, pode‐se supor que este segundo risco seja, de facto, de sua autoria. Corroborando esta hipótese, os especialistas distinguem no frontispício diversos detalhes que prefiguram o seu estilo e que fazem deste edifício um dos exemplares mais importantes da arquitetura religiosa de Minas. Trata‐se da primeira igreja mineira a quebrar a rigidez da cornija, que se alteia formando um semi‐círculo acima do óculo‐relógio; outro detalhe "revolucionário" é a colocação das torres redondas, formando ângulo de 45° em relação à fachada. Por outro lado, a portada conserva elementos barrocos, no estilo D. João V; o oratório abriga uma bela imagem de São João, que é provavelmente a mais antiga das esculturas de pedra-sabão feitas por António Francisco Lisboa. Internamente, os altares e retábulos revelam épocas diferentes, os mais antigos apresentando maior qualidade de execução. Apesar da louvação realizada pelo mesmo Aleijadinho em 1785, as obras no coro e na capela‐mor prolongaram‐se até 1798.

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