Casa da Fazenda do Capão do Bispo, Casa da Fazenda do Viegas, Casa da Fazenda Engenho d’Água, Casa da Fazenda Taquara, Aqueduto da Colónia Juliano Moreira

Casa da Fazenda do Capão do Bispo, Casa da Fazenda do Viegas, Casa da Fazenda Engenho d’Água, Casa da Fazenda Taquara, Aqueduto da Colónia Juliano Moreira

Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

Habitação

A partir da fundação do Rio de Janeiro no século XVI, as terras nos arredores da cidade e em torno da Baía de Guanabara vão sendo gradativamente ocupadas por engenhos de açúcar. A produção desses engenhos será moeda de troca no tráfico de escravos com a África. No século XVIII irá florescer nestes engenhos uma arquitetura rural alpendrada, com o padrão de uma linguagem regional comum, não encontrável em outras partes do país. Em todos temos grandes telhados de quatro águas e alpendre de colunas toscanas em alvenaria de tijolo apoiando diretamente o frechal. As terras da Fazenda do Capão do Bispo pertenciam originalmente aos jesuítas, e foram leiloadas após a expulsão de 1759, tendo uma parte sido comprada por D. José Joaquim Justiniano Mascarenhas Castelo Branco, bispo da cidade do Rio de Janeiro. Ele irá construir a casa da fazenda numa elevação junto a um capão, porção de mata isolada no meio do campo. Se notabilizará pela produção de açúcar e no século XIX como produtor de café. A casa encontra‐se hoje no meio de movimentada área urbana, apesar de ter conservado um pouco do seu ambiente rural, graças ao afastamento em relação à rua. Aproveitando o desnível do terreno, o alpendre está construído sobre embasamento, sendo acessível por uma maciça escada lateral de alvenaria. Embasamento e escada conferem imponência à colunata toscana do alpendre. O porão no embasamento era utilizado no século XIX como senzala. A casa desenvolve‐se em torno de um pátio central, circundado de varandas com colunas toscanas. A capela é um dos cómodos do corpo da construção, voltado para o alpendre da fachada principal. A origem da Fazenda do Viegas é o Engenho da Lapa, construído em 1725 por Francisco Garcia do Amaral. Estas terras passaram para Manoel de Souza Viegas, que provavelmente foi o responsável pela construção da casa e capela. A capela é uma construção independente, porém colada à casa; o seu coro se comunica diretamente com o alpendre. O salão ainda mantém dois vãos com rótulas e treliças, voltados para a varanda. As colunas toscanas em alvenaria de tijolo são menores e mais atarracadas que as das outras fazendas ainda existentes. A Fazenda do Engenho d’Água é um dos marcos iniciais da ocupação da Baixada de Jacarepaguá. A região, uma planície com várias lagoas, era denominada pelos índios jacarepaguá, isto é, lagoa baixa dos jacarés. A fazenda foi propriedade dos viscondes de Asseca no século XVIII, tendo passado para Francisco Pinto da Fonseca Telles, barão da Taquara, no XIX. A casa apresenta algumas características que a distinguem das outras. Tem um corpo central assobradado, como se fosse uma camarinha; a capela ocupa uma das laterais do alpendre e é aberta para este. Uma pequena escada central dá acesso ao alpendre, tendo nos degraus azulejos representando três torres com ameias. A Casa da Fazenda Taquara era originalmente uma construção dentro do padrão já definido: com um só pavimento, alpendre frontal com colunas toscanas e pátio central avarandado. O corpo central assobradado, de gosto neoclássico, foi acrescido em 1882, substituindo nesse trecho as colunas por arcos plenos. A Capela de Nossa Senhora dos Remédios, que fica ao lado da casa, é construção ainda do século XVIII, mas com decoração interna oitocentista. O Aqueduto, nas terras da hoje Colónia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, foi construído na segunda metade do século XVIII para abastecer uma fazenda, não mais existente. O aqueduto tem cerca de 70 metros de canaleta sobre oito arcos plenos, construídos em alvenaria mista de pedra e tijolos.

José Simões Belmont Pessôa

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