Forte

Forte

Shirgaon [Sirgão/Sirigão/Seridão/Sirgaon], Maharashtra, Índia

Arquitetura militar

A fortificação de Sirigão constitui um dos exemplos mais notáveis de casas senhoriais fortificadas da antiga Província do Norte do Estado da Índia. Localizada a cerca de três quilometros a sul do Forte de Tarapur, a aldeia de Sirigão foi incorporada na coroa portuguesa em 1559 - conjuntamente com o território dependente de Damão - e conquistada pelos maratas em 1739. À semelhança do que ocorreu em Ghodbandar ou na Ilha de Bombaim, os fidalgos foreiros da aldeia de Sirigão desenvolveram um verdadeiro empório feudal, edificando uma posição defensiva de valor estratégico para todo o território, mas cujos encargos eram sustentados exclusivamente pelas suas fortunas pessoais. De modo geral, estes fidalgos poderosos ficavam isentos de algumas obrigações - como a de assistir regularmente nas praças de Damão ou Baçaim - mas estavam encarregues de manter um número fixo de cavalos, espingardeiros ou até peças de artilharia, para defesa das casas senhoriais fortificadas. Frequentemente, estas posições defensivas particulares continham estruturas mais opulentas e sólidas do que aquelas que evoluíam a partir de casas de capitães pagos pela coroa. Representavam a combinação do investimento de gerações assente sobre o domínio e exploração da terra e a necessidade de defender posições mais expostas aos ataques inimigos. Geralmente, estas casas senhoriais constituíam ‑se de amplas zonas residenciais, uma cerca amuralhada com redutos ou baluartes artilhados, um cais acostável e um poço no interior do recinto. O Forte de Sirigão apresenta uma implantação quadrangular, orientada segundo os pontos cardinais. Originalmente, a face oeste seria banhada por um esteiro. Nesta frente situa ‑se uma porta entaipada e várias dependências que parecem formar o essencial da antiga zona residencial da fortificação, juntamente com um baluarte no canto sudoeste. Encostam ‑se à face oeste vários contrafortes. Já o baluarte redondo do canto noroeste e as alas norte e leste revelam intervenções maratas do período pós ‑1739. Na ala norte existe uma porta monumental e uma torre sobranceira de claro desenho indiano. Os parapeitos das muralhas desta zona e dos lados leste e sul são acessíveis através de escadarias que também aparentam ser de origem marata. O tipo de pedra e o seu aparelho distinguem claramente os dois períodos na arquitetura da fortificação. No terreiro interior existia um poço e possivelmente uma cisterna. De referir ainda os fragmentos de uma pedra tumular lavrada, aparentemente datada de 1714, estantes na face interior da entrada monumental, do lado oeste. Entre outubro de 1737 e janeiro de 1738 Sirigão esteve sitiada pelas forças maratas, sendo por elas conquistada um ano depois. Cerca de 1818, foi ocupada pelos ingleses.

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