Paço da Associação Comercial da Bahia

Paço da Associação Comercial da Bahia

Salvador, Bahia, Brasil

Habitação

A Bateria de São Fernando, colocada quase dentro do mar, serviu de base à construção do paço. Aterros posteriores colocaram, entre ele e a orla, três quarteirões densamente ocupados por edifícios comerciais, esquecendo ao fundo alguns sobrados pendurados na encosta e o antigo Elevador do Tabuão. No século XIX fez parte do plano de urbanização do novo aterro a construção das praças Tamarindos e Riachuelo, jardins públicos gradeados que a Associação cuidou até à sua destruição pelas obras de ampliação do porto. D. Marcos de Noronha e Brito, antigo vice‐rei desempregado pela chegada do príncipe regente, é nomeado em 1810 governador da província. Para atender aos interesses dos comerciantes, sob o risco do arquiteto português Cosme e Damião da Cunha Fidié, é erguida a Associação Comercial, a primeira obra neo‐clássica da Bahia, construída entre 1811 e 1816, antes, portanto, da influência da Missão Artística Francesa. O edifício, classificado pelo IPHAN em 1938, tem inspiração "palladiana", com planta retangular composta por um corpo central com pé direito duplo, precedido varanda e colunata jónica, e por corpos laterais simétricos de dois pavimentos. Bazin vê essa inspiração como influência do neoclássico inglês, através do "Estilo Adam". O repertório decorativo inclui platibanda rendada, frontões triangulares rematando os corpos, coroas e guirlandas executadas em estuque, e esquadrias com pinázios em diagonal, segundo Wasth Rodrigues, tipicamente baianas. No frontão central, o brasão com as armas do império. Portadas em mármore com inscrições homenageiam D. João VI, responsável pela abertura dos portos. No interior, um belíssimo salão de pé‐direito duplo integra harmoniosamente elementos arquitetónicos e decorativos.

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