Igreja do Espírito Santo

Igreja do Espírito Santo

Nandakal, Área Metropolitana de Mumbai (Bombaím), Índia

Arquitetura religiosa

A Igreja do Espírito Santo de Nandakal é referida pela primeira vez em 1585 embora, de acordo com A. Meersman, seja provável que tenha sido fundada antes (a tradição local refere o ano de 1573) e nos documentos franciscanos é por vezes mencionada como Espírito Santo da aldeia de Comparata. Em 1635 tinha duas confrarias, de Jesus e de Nossa Senhora da Conceição, e pertenceu aos franciscanos pelo menos até 1720, existindo a tradição de que os maratas não a danificaram após 1739. A igreja sofreu obras de reparação em 1910 e em 1930, cujo teor não conhecemos. O pavimento tem pedras tumulares com inscrições em português datadas de 1906 e 1908 (o que demonstra que, pelo menos até essa data, era a língua falada nesta paróquia de "norteiros" ou "east‐indians"). Como sucede com várias outras igrejas de franciscanos e outras congregações na antiga Província do Norte (Taná, Nirmal, Sandor), a igreja está construída na margem de um lago ou grande tanque, em redor do qual existem hoje vários templos. Uma tradição recolhida pelos organizadores do livro In the Mission Field (1925) referia que a igreja fora construída no lugar de um templo. A igreja tem a capela‐mor a nascente. É um edifício de nave única coberta de telhado que, numa fotografia do início do século XX, mantinha pendente muito acentuada. Hoje apresenta um telhado moderno, embora a empena frontal seja ainda bastante inclinada. A capela‐mor é abobadada, mas a abóbada foi reparada recentemente e não se sabe que forma tinha de origem. A fachada está hoje parcialmente coberta por um pórtico de betão, que substitui uma galilé de madeira e telhado que ainda existia no início do século XX. O pórtico deve ter sido feito quando foi desmontada e substituída por um edifício também contemporâneo, a reitoria franciscana, com os seus telhados e varandas cobertas, que existia a poente da igreja. O perfil curvilíneo, os pináculos que decoram a fachada e os remates dos dois campanários que a enquadram são provavelmente oitocentistas ou ainda mais tardios. No interior, terão sido feitas no início do século XX as galerias de madeira sustentadas por pilares de ferro que substituem um eventual coro alto antigo, uma janela frontal de perfil gótico, bem como o arranjo gótico da porta lateral norte da igreja, que no entanto mantém bem visíveis os vestígios da forma original. O altar‐mor, os altares laterais e o púlpito são da transição entre o século XVII e o século XVIII, mas tanto podem ser os originais como terem sido trazidos de igrejas de Baçaim ou Taná, como tantas vezes sucedeu na Província do Norte depois de 1740.

Paulo Varela Gomes

Loading…