Igreja e Convento de Santo António

Igreja e Convento de Santo António

Recife, Pernambuco, Brasil

Arquitetura religiosa

O convento franciscano de Recife foi fundado em 1606, mas o mais antigo edifício de que restam vestígios não é anterior aos anos de 1690. Na fachada da igreja, o que ainda se pode ver desse momento construtivo (a galilé de três arcos frontais e dois laterais com uma inscrição de 1695, e porta única de acesso à nave) mostra que Ipojuca foi o modelo usado. Já no século XVIII, a igreja recebeu uma nova fachada (1770) que se apôs à anterior, dotada de cinco arcos integralmente em pedra no piso térreo, três janelas ladeadas por volutas no segundo andar, e um pedimento também com grandes volutas. Esta nova fachada consegue o considerável feito de monumentalizar o edifício num espaço disponível extremamente limitado. No interior da igreja, destaca‐se a cúpula revestida a azulejos como característica rara. Mais frequentes mas igualmente interessantes são os azulejos, que se estendem pelas paredes da nave, bem como os três altares de talha branca e dourada. O mais famoso e espetacular elemento desta igreja, contudo, é a sua capela dos Terceiros. Construída ao mesmo tempo que a igreja (1696‐1698) e imediatamente decorada, na chamada Capela Dourada a arquitetura é eclipsada pela exuberante decoração, em que a talha dos altares se prolonga pelas paredes e teto, enquadrando pintura, escultura e azulejos (estes assentes em 1704 e devidos a António Pereira), num programa que cobre integralmente o espaço e lhe justifica o epíteto. A cronologia desta capela torna inevitável a sua leitura como espacialização eloquente do conflito (e respectivo desfecho) da chamada Guerra dos Mascates, que opôs a nobreza terratenente de Olinda aos comerciantes (mascates) do Recife. Merecem ainda referência os azulejos do claustro (alguns dos mais antigos exemplares portugueses e holandeses em território brasileiro estão aqui), da portaria, da sala do capítulo e da sacristia, onde também se destaca o mobiliário atribuído a José Gomes de Figueiredo e datável de ca.1787.

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