Fortaleza de São Tiago das Cinco Pontas, Forte de São João Batista do Brum, Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres do Pau Amarelo

Fortaleza de São Tiago das Cinco Pontas, Forte de São João Batista do Brum, Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres do Pau Amarelo

Recife, Pernambuco, Brasil

Arquitetura militar

O povoado do Recife, porto da Vila de Olinda, situado dela seis quilómetros, foi fundado na extremidade de uma península que nasce na parte sul da mesma vila. Tinha proteção natural contra ataques vindos do mar com os arrecifes. A entrada nesses arrecifes para o ancoradouro interno é estreita e o primeiro sistema de defesa, então construído pelos portugueses, era constituído por uma fortificação nessa boca da barra, sobre os arrecifes, e outra (São Jorge) no istmo, em local próximo à entrada do povoado. Ao tomarem Olinda e o Recife em 1630, os holandeses, preocupados com ataques vindos desde a terra, organizaram um excelente sistema de defesa tendo por pontos ativos o Forte Frederico Henrique (das Cinco Pontas), o Forte Ernesto, quatro redutos e o Forte do Brum. O antigo Forte de São Jorge foi transformado em enfermaria. Depois de 1639, construíram uma cortina ligando o Forte Ernesto ao das Cinco Pontas. Com a derrota holandesa (1654) os lusitanos reconstruíram, do sistema holandês em estrutura de terra, somente o Forte das Cinco Pontas e o do Brum. Esses foram encamisados com cantarias trabalhadas. As duas fortificações foram desativadas, enquanto lugares de defesa, no século XX. Hoje o Forte das Cinco Pontas é o Museu da Cidade do Recife, e o do Brum abriga um Museu Militar. São peças valiosas da arte da defesa e seguem no seu traçado indicações contidas nos Tratados de Luís Serrão Pimentel e outros engenheiros militares tratadistas. No sistema português referido, as preocupações dos engenheiros militares eram com ataques vindos do mar. Os engenheiros holandeses se ocuparam com os vindos da terra e do mar. Praticamente, o sistema de defesa criado visava defender dois lugares então mais habitados: a península, onde estava o porto e a Ilha de António Vaz, e depois se edificou a Cidade Maurícia. Ficava de fora desse sistema o atual Bairro da Boa Vista. O Forte das Cinco Pontas, Schans Frederik Henrick, ou Forte Frederico Henrique, teve inicialmente o traçado determinado pelo engenheiro holandês Tobias Comersteinj, sendo construído pelo engenheiro Pieter Bueren em taipa e faxinas "de terra". No ano de 1654 se encontrava bastante arruinado, sendo reconstruído em 1680 pelos lusitanos, então com quatro baluartes em cantaria. Desativado como obra de defesa, nele foram instalados outros serviços do exército e depois um setor da Secretaria de Planejamento do Governo Federal, sendo, finalmente, hoje aquele Museu. O seu restauro, em 1978, deve‐se à Fundação do Património Histórico e Artístico de Pernambuco. O Forte do Brum, edificado em terra, menos dani‐ ficado pelas guerras da Restauração de Pernambuco, foi encamisado em cantaria em 1680. Não foi obra de uma vez, e tal circunstância se pode verificar pela diferença de aparelho das cantarias. O Forte de Pau Amarelo foi construído no litoral ao norte de Olinda, em pedra, no ano de 1719. Incompleto quanto ao traçado original, não foi ativo para a defesa em momento algum. Está situado no lugar onde, na falta de defesa competente, em 1630, os holandeses desembarcaram, tomando Olinda. A fortificação não se relaciona com o sistema de defesa do Recife.

José Luiz Mota Menezes

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