Igreja de Nossa Senhora da Guia

Igreja de Nossa Senhora da Guia

Lucena, Paraíba, Brasil

Arquitetura religiosa

A igreja de Nossa Senhora da Guia localiza‐se na extremidade do promontório entre o Rio Jacuípe e o mar, na margem norte do Rio Paraíba, de forma que domina visualmente toda a foz deste último. Nas primeiras décadas do século XVII já existiam no local um estabelecimento carmelita com esta invocação e o aldeamento de Jacuípe. Em 1714, quando a província carmelita de Pernambuco foi separada daquela da Bahia, a ordem mantinha, na Guia, um hospício (estabelecimento de acolhida para pobres e doentes). Em meados do século, não mais havia aldeamento. Segundo Bazin, a fachada (cujo frontão não foi concluído) e a nave da atual edificação são do período joanino, tendo sido iniciadas por volta de 1730. No priorado do Frei Manuel de Santa Teresa (1763‐1778) teria havido reconstrução apenas do arco‐cruzeiro e da capela‐mor. O frontispício tem galilé de cinco arcos, semelhante à dos conventos franciscanos, mas sua composição (se completada) teria duas torres, diferentemente de tais conventos. A decoração esculpida na pedra tem elementos incorporados da talha (o nicho, os anjos exibindo a coroa e as pencas de frutas) e outros existentes unicamente no monumento, como as cercaduras dos vãos com colunas torsas e a ordem jónica modificada das portadas da nave. O resultado exuberante aproxima‐se do espírito do arco‐cruzeiro e do retábulo, executados na mesma pedra, com os elementos rococós assimétricos da segunda metade do século (Santa Rita, Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento; João Pessoa, Igreja de Nossa Senhora do Carmo). As tribunas e os arcos das extremidades da galilé mostram que se previam galerias laterais, as quais não chegaram a ser construídas. É a tais galerias que se devem associar as arcadas entaipadas (na altura do transepto) e os cachorros do exterior, e não a possíveis articulações com o hospício, cujos limites precisos permanecem incógnitos. Depois de um longo processo de desapropriação dos terrenos do entorno, o conjunto, classificado pelo IPHAN em 1949, foi doado à arquidiocese da Paraíba em 1988. Além das repetidas obras de recomposição da cobertura, aconteceu a retirada das camadas de pintura sobre a cantaria (1953‐1954), e, entre 1991 e 1992, uma intervenção completa, que incluiu muros de arrimo, drenagem, calçadas, recuperação da cantaria, abertura das tribunas e óculos.

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